Universidade do Minho
Genética forense, justiça e média em Portugal: elementos de co-produção num estudo de cinco casos criminais
Abstract
dc:description.abstractA identificação por perfis de DNA tem vindo a estabelecer-se como a derradeira prova em contexto criminal, assumindo crescente relevância simbólica no combate ao crime e na investigação criminal, ao mesmo tempo que vem suscitando a atenção de estudos académicos no âmbito dos chamados “estudos sociais da ciência”, assim como em literatura sócio legal acerca dos modos como a disseminação e utilização das tecnologias de DNA se traduzem em transformações, contingências e adaptações nos sistemas de justiça criminal. Esta tese parte de uma perspetiva focada no idioma da co-produção social de artefactos científicos e tecnológicos. Pretendeu-se indagar acerca dos modos como as tecnologias de DNA adquirem agência na modelação identitária e institucional decorrente das práticas e conhecimentos “situados” da rede de atores associados à coprodução da prova de DNA durante inquérito criminal, bem como ao nível dos discursos e representações, quer inscritos nos próprios processos judiciais, quer na cobertura mediática de casos criminais na imprensa escrita. Foram selecionados cinco casos criminais – “Meia Culpa”, “Tó Jó”, “Joana”, “Serial Killer de Santa Comba Dão” e “Madeleine McCann” –, tendo sido analisados os respetivos processos judiciais e cobertura noticiosa de quatro jornais diários de âmbito nacional (Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Diário de Notícias). Foram também realizadas entrevistas com informantes privilegiados ligados ao sistema de justiça (magistrados, investigadores criminais, peritos forenses e advogados), selecionados em função do seu envolvimento num ou mais dos casos criminais escolhidos para esta pesquisa. Conclui-se que as tecnologias de DNA beneficiam de elevado estatuto simbólico e epistémico, sendo projetadas representações e expectativas globalmente positivas em torno da sua neutralidade, rigor e certeza. Contudo, os seus usos para fins forenses surgem marcados por tensões, contingências e incertezas de vária ordem que tendem a obstar à concretização do potencial de um “imaginário forense” assente na conjugação da noção de eficácia das tecnologias de identificação com a permanência dos vestígios que podem levar à individualização da sua origem.
Degree
thesis:*- Name thesis:degree_name
- Tese de Doutoramento em Sociologia
- Year dc:date.issued
- 2015
Author and committee
dc:creator, dc:contributor.*- Author dc:creator
-
- Santos, Filipe José da Silva Cardoso
- Advisor dc:contributor.advisor
-
- Machado, Helena
Subjects
dc:subject × 11Rights
dc:rights- Statement dc:rights
-
- restrictedAccess
- Language dc:language.iso
- por
Identifiers
dc:identifier.*- Handle dc:identifier.uri
- https://hdl.handle.net/1822/36678