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Universidade do Minho

A gestão da flexibilidade no emprego através da gestão de recursos humanos: o caso das grandes consultoras de gestão

Abstract

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A flexibilidade no emprego e a gestão de recursos humanos (GRH) são áreas intimamente ligadas. Não só a flexibilidade figura como uma das metas da GRH nos principais modelos, como a exploração de diferentes tipos de flexibilidade tem implicações diversas na forma de gerir as pessoas. Embora esta relação seja amplamente reconhecida, ela é também notoriamente pouco estudada. Urna revisão aturada da literatura, tanto na área da flexibilidade como da GRH, revelou a associação recorrente entre a procura por certos tipos de flexibilidade e diferentes sistemas de GRH. Contudo, foi igualmente identificado um vasto rol de conflitos e contradições, suscitado tanto pela ambiguidade que envolve o conceito de flexibilidade como pelo persistente debate em torno de que GRH é verdadeiramente estratégica. De forma breve, os conceitos de flexibilidade funcional (variação da qualidade e organização do trabalho utilizado com base na capacidade de adaptação e aprendizagem dos trabalhadores) e numérica (variação da quantidade de trabalho utilizado em linha com os requesitos do negócio), que dominam as atenções, tendem a ser apresentados como fundamentalmente contraditórios e a sua exploração simultânea basicamente incompatível. A flexibilidade numérica é vista como uma forma de minimizar custos e é associada ao emprego precário e de curto-prazo, em que os trabalhadores não têm incentivos ou oportunidades de ser funcionalmente flexíveis. A flexibilidade funcional, por seu lado, assenta nas competências e empenhamento dos trabalhadores, requerendo assim investimentos em formação e no desenvolvimento da relação de emprego a longo- prazo. Mas embora isto sugira abordagens distintas à gestão das pessoas, é cada vez mais reconhecida a necessidade das organizações procurarem “flexibilidades múltiplas e paralelas” (Sparrow, 1998), sobretudo face às crescentes concorrência internacional e mudanças tecnológicas. O modelo da “firma flexível” (Atkinson, 1987) e outros similares pressupõem que as empresas podem explorar simultaneamente diferentes tipos de flexibilidade através da segmentação das suas forças de trabalho (tipicamente em núcleos e periferias) e da utilização de diferentes sistemas de GRH para gerir os empregados em cada segmento. Embora este tipo de proposta seja perfeitamente aceitável, e até recomendada, segundo urna perspectiva contingencial de “best fit” da GRH, ela é rejeitada pelos defensores da abordagem das “boas práticas” de GRH orientadas para o empenhamento, que condenam, não só a ideia da segmentação da força de trabalho, como o recurso a condições precárias de emprego na utilização de trabalhadores periféricos. O carácter inconclusivo e conflituoso dos debates acerca destes temas aconselhou o uso de urna metodologia qualitativa e aberta. Foram conduzidos seis estudos de caso, analisados numa perspectiva próxima da chamada “gounded theory”, numa abordagem qualitativa, indutiva e iterativa. Foi escolhido o sector da consultoria de gestão pela importância que nele assumem tanto a questão da flexibilidade corno a GRH. Os resultados alcançados mostram corno estas empresas conseguiam explorar simultaneamente flexibilidades do tipo funcional e numérico sem recorrerem à segmentação das suas forças de trabalho nem a qualquer tipo de emprego precário. Em vez disso, e de forma marcadamente destacada das propostas encontradas na literatura, era a implementação de um mesmo sistema de políticas e práticas de GRH altamente integrado e coordenado, abrangendo todos os empregados, que lhes permitia beneficiar tanto da flexibilidade funcional requerida como da flexibilidade numérica de que necessitavam. Desta forma, é neste trabalho proposto e discutido um modelo de gestão da flexibilidade através da GRH, tal como observado nas grandes Consultoras de gestão.

Degree

thesis:*
Name thesis:degree_name
Tese de doutoramento em Ciências Empresarias, ramo de Organização e Políticas Empresariais.
Year dc:date.issued
2004

Author and committee

dc:creator, dc:contributor.*
Author dc:creator
  • Carvalho, Ana Cristina de Almeida e
Advisor dc:contributor.advisor
  • Cardoso, Carlos José Cabral

Rights

dc:rights
Statement dc:rights
  • openAccess
Language dc:language.iso
por

Identifiers

dc:identifier.*
Handle dc:identifier.uri
https://hdl.handle.net/1822/3379

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source
Harvested from
Universidade do Minho
Base URL
repositorium.sdum.uminho.pt/oai/request
Last updated
2026-08-21
Source record
OAI-PMH GetRecord
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Carvalho, Ana Cristina de Almeida e. A gestão da flexibilidade no emprego através da gestão de recursos humanos: o caso das grandes consultoras de gestão. 2004. https://hdl.handle.net/1822/3379