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Universidade do Minho

Políticas de educação de adultos em Portugal (1999-2006): a emergência da educação para a competitividade

Abstract

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Esta tese teve como objectivo a compreensão da política pública de educação e formação de adultos adoptada entre 1999 e 2006, em Portugal, no que respeitou às mudanças na relação estabelecida entre o Estado e o campo de práticas referido. Na primeira parte deste trabalho, a concretização deste objectivo envolveu a discussão de contribuições teóricas sobre o Estado e a sua intervenção na educação de adultos. Nesta perspectiva, concedeu-se destaque às abordagens pluralistas e marxistas, bem como ao debate sobre o Estado-providência e o Estado neoliberal e procurou-se perceber o impacto dessas concepções de Estado sobre o desenvolvimento de modalidades de educação formal, não formal e informal de adultos nas políticas públicas. Enfatizou-se igualmente o papel das organizações internacionais, como a UNESCO e a OCDE, na definição de políticas públicas de educação, formação e aprendizagem ao longo da vida. A partir desta discussão, esta primeira parte terminou com a apresentação de um quadro conceptual que integrou três propostas de análise de políticas públicas de educação de adultos. Uma primeira abordagem acentuou as políticas participativas, de articulação entre o Estado e a sociedade civil, de educação crítica. Uma segunda centrou-se na acção do Estado e enfatizou a educação para o controlo e para a reprodução social. Uma terceira destacou as políticas públicas “mínimas” de educação para a competitividade, nas quais o Estado partilhava responsabilidades educativas com organizações não estatais na promoção de iniciativas que visavam o desenvolvimento económico. Na segunda parte desta tese, ensaiou-se a aplicação deste quadro conceptual aos desenvolvimentos observados no Estado e nas políticas de educação de adultos entre 1974 e 1999, com o propósito de averiguar a especificidade portuguesa. Depois de identificadas singularidades que influenciaram a adopção de políticas públicas nesse período, relacionadas, por exemplo, com a aposta na educação popular e com a escolarização, foram analisados dados empíricos, designadamente documentos políticos produzidos pela União Europeia e pelo Estado português que suportaram a política de educação e formação de adultos entre 1999 e 2006. Foram também interpretados documentos internos de uma associação de desenvolvimento local promotora de Cursos EFA, uma das ofertas mais relevantes da referida política, e analisadas as entrevistas semiestruturadas realizadas a dirigentes, técnicos, profissionais da educação de adultos e ex-formandos envolvidos na oferta indicada. A discussão destes dados permitiu concluir que o Estado registou mudanças na sua intervenção ao destacar os mecanismos de governança, nos quais as parcerias e as redes de promoção de iniciativas de educação de adultos passaram a ser fulcrais; neste âmbito, a indução, a mediação, o controlo e a avaliação tornaram-se funções estatais determinantes. Devido às características desta intervenção, os modos de pensar e de agir na educação de adultos passaram a apelar à crescente valorização da educação de adultos enquanto política social e de emprego, ao papel do indivíduo na construção de percursos educativos e formativos mais adequados ao crescimento da economia, às competências e aos saberes úteis para o desenvolvimento dos processos de trabalho, às aprendizagens e às qualificações num quadro de desemprego estrutural. Em resultado, entre 1999 e 2006, a educação e formação de adultos consistiu numa política de transição que retomou princípios referenciáveis à abordagem das políticas de educação para o controlo e para a reprodução social, enquanto se assistiu à forte emergência de tendências de políticas “mínimas” de educação para a competitividade. Nesta transição, alguns indícios sugeriram ainda aspectos característicos da abordagem das políticas participativas de educação crítica, embora, em diversas situações, estes aspectos denotassem a ressemantização subordinada a princípios de gestão de recursos humanos de modos de pensar e de agir emancipatórios, problematizadores e reflexivos.

Degree

thesis:*
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Doutoramento em Ciências da Educação (especialidade em Política Educativa)
Year dc:date.issued
2011

Author and committee

dc:creator, dc:contributor.*
Author dc:creator
  • Guimarães, Paula Cristina Oliveira
Advisor dc:contributor.advisor
  • Lima, Licínio C.

Rights

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Statement dc:rights
  • restrictedAccess
Language dc:language.iso
por

Identifiers

dc:identifier.*
Handle dc:identifier.uri
https://hdl.handle.net/1822/12487

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source
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Universidade do Minho
Base URL
repositorium.sdum.uminho.pt/oai/request
Last updated
2026-08-21
Source record
OAI-PMH GetRecord
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Guimarães, Paula Cristina Oliveira. Políticas de educação de adultos em Portugal (1999-2006): a emergência da educação para a competitividade. 2011. https://hdl.handle.net/1822/12487