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Universidade Federal do Paraná

Respostas metabólicas de brânquias de peixes antárticos frente ao estresse térmico

Abstract

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Resumo: Os peixes antárticos são considerados animais extremamente estenotérmicos. Porém, estudos têm apontado que algumas espécies são capazes de compensar sua taxa metabólica para lidar com o aquecimento. As brânquias são estruturas multifuncionais e bastante sensíveis a variações térmicas, podendo apresentar alterações compensatórias nos níveis das enzimas glicolíticas e mitocondriais em reposta à elevação térmica. O estresse térmico pode gerar, também, em excesso, espécies reativas de oxigênio, altamente deletérias e capazes de promover estresse oxidativo. Considerando as tendências de aquecimento na região da Península Antártica e com intuito de verificar a plasticidade térmica de duas das espécies mais abundantes da Baía do Almirantado, Ilha do Rei George, foram avaliados os efeitos do estresse térmico de curto prazo (8ºC), por 2, 6, 12, 24, 72 e 144 horas, e de longo prazo (4 e 8ºC), por 1, 4, 15 e 30 dias, no potencial osmorregulatório, metabolismo de carboidratos e sistema de defesa antioxidante em brânquias de Notothenia rossii e Notothenia coriiceps. As alterações observadas foram dependentes da espécie e dos tempos de exposição às temperaturas avaliadas. N. rossii apresentou maior tolerância térmica que N. coriiceps, já que indivíduos dessa espécie morreram após 6 dias de exposição a 8ºC. Com relação ao potencial osmorregulatório, os níveis de atividade da Na+/K+-ATPase (NKA) aumentaram em resposta à elevação térmica apenas em N. rossii, provavelmente devido a um maior turnover enzimático ou como consequência de alteração na fluidez de membrana em decorrência da LPO. As consequências de maiores níveis de atividade da NKA seria uma redução da osmolalidade sérica e maior demanda energética pelos órgãos osmorregulatórios, mas que não foi verificada neste estudo. Com o estresse térmico de curto prazo, foi verificada uma situação de anaerobiose nas brânquias de N. rossii, através da elevação dos níveis de atividade da lactato desidrogenase (LDH) e de lactato. Porém, o metabolismo aeróbico foi recuperado, com o estresse térmico de longo prazo. Nas brânquias de N. coriiceps, o estresse térmico de curto prazo resultou, num primeiro momento, em anaerobiose, seguida por recuperação da aerobiose, juntamente com uma redução dos níveis de glicogênio, o que pode ser consequência de uma maior demanda energética. A longo prazo, a anaerobiose foi, mais uma vez, ativada, o que pode ter comprometido a tolerância térmica desses indivíduos. Nas brânquias de N. rossii, mesmo com maiores níveis de antioxidantes, verificou-se um maior índice de lipoperoxidação (LPO) e de proteínas carboniladas com o estresse térmico de curto prazo, provavelmente em resposta ao quadro de hipóxia tecidual. Com o estresse térmico de longo prazo o índice de LPO foi ainda maior, provavelmente devido a uma falha do sistema antioxidante de N. rossii em reposta ao estresse térmico de longo prazo. O estresse térmico de curto prazo, nas brânquias de N. coriiceps, não resultou em danos oxidativos, provavelmente devido à eficiência de seu sistema de defesa antioxidante. O estresse térmico de longo prazo (4ºC), resultou em maior LPO, devido à condição de hipóxia observada nessa situação. Considerando os resultados deste estudo, embora as brânquias de N. rossii tenha sofrido com elevado índice de LPO, o que pode ter comprometido o potencial osmorregulatório nessa espécie, N. rossii conseguiu ser aclimatada à temperatura de 8ºC após exposição de longo prazo, devido, provavelmente, à inibição do metabolismo anaeróbico. N. coriiceps, por sua vez, não conseguiu reverter a condição de anaerobiose, sendo essa a causa provável de sua morte. Palavras-chaves: temperatura, metabolismo de carboidratos, estresse oxidativo, Na+/K+-ATPase, Notothenia, aquecimento.

Author and committee

dc:creator, dc:contributor.*
Author dc:creator
  • Forgati, Mariana
Advisor dc:contributor.advisor
  • Donatti, Lucélia

Subjects

dc:subject × 6

Rights

Language dc:language
Português

Identifiers

dc:identifier.*
Handle dc:identifier.uri
http://hdl.handle.net/1884/46347
OAI identifier oai:identifier
oai:acervodigital.ufpr.br:1884/46347

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Harvested from
Universidade Federal do Paraná
Base URL
acervodigital.ufpr.br/oai/request
Last updated
2026-07-24
Source record
OAI-PMH GetRecord
citation

Forgati, Mariana. Respostas metabólicas de brânquias de peixes antárticos frente ao estresse térmico. 2016. http://hdl.handle.net/1884/46347