{"id":{"repo_id":"minho-thes","oai_identifier":"oai:repositorium.uminho.pt:1822/102482"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/minho-thes/oai:repositorium.uminho.pt:1822/102482","repository":{"repo_id":"minho-thes","name":"Universidade do Minho","base_url":"http://repositorium.sdum.uminho.pt/oai/request"},"display":{"title":"Meu coração se deixou levar: a experiência amadora de percussão em grupos de rua no Brasil e em Portugal","abstract":"A presente tese de doutoramento investiga os sentidos, as motivações e as dinâmicas sociais da participação de músicos amadores em grupos de percussão de rua, estabelecendo um estudo comparativo entre as cidades de Fortaleza (Brasil) e Braga (Portugal). O objeto de estudo compreende agremiações que, embora inseridas em tradições culturais distintas, partilham a centralidade do tambor e a mobilização voluntária para a performance no espaço público. De metodologia qualitativa, o trabalho está baseado em 21 entrevistas em profundidade, sendo 19 delas realizadas com membros de cinco grupos selecionados: Maracatu Nação Fortaleza, Bateria Unidos da Cachorra, Rusga de São Vicente, Bomboémia e Ipum. Através destas narrativas, o estudo reconstrói as trajetórias destes sujeitos, desde o ingresso e aprendizado técnico até a consolidação de uma identidade de “tocador”, “ritmista” ou “brincante”. O estudo enquadra estes coletivos como Comunidades de Prática Musical (CoPM), onde o aprendizado ocorre através do convívio e da participação ativa, sem a separação rígida entre ensino e performance. A análise dialoga com a Teoria do Ator-Rede (TAR), de Bruno Latour (2012), para conceber o “tocador” como um híbrido entre humano e instrumento, mediado pela rede do grupo. Utiliza-se também o mapa das mediações de Jesús Martín-Barbero para articular as dimensões da produção musical (o fazer, o ensaiar) e do consumo cultural (a fruição de repertórios e cenas musicais). Os resultados da análise propõem que, num contexto de “modernidade líquida” (Bauman, 2001) e fragmentação social, estes grupos operam como “tribos” (Maffesoli, 1998) que oferecem laços de solidariedade, afeto e uma identidade coletiva estável. A prática percussiva amadora revela-se, assim, não apenas um lazer ou “hobby sério”, mas uma forma de resistência e de viver de forma significativa, onde o compromisso com o grupo e o fazer musical ressignifica o cotidiano, a festa e a experiência da cidade.","abstract_html":"A presente tese de doutoramento investiga os sentidos, as motivações e as dinâmicas sociais da participação de músicos amadores em grupos de percussão de rua, estabelecendo um estudo comparativo entre as cidades de Fortaleza (Brasil) e Braga (Portugal). O objeto de estudo compreende agremiações que, embora inseridas em tradições culturais distintas, partilham a centralidade do tambor e a mobilização voluntária para a performance no espaço público. De metodologia qualitativa, o trabalho está baseado em 21 entrevistas em profundidade, sendo 19 delas realizadas com membros de cinco grupos selecionados: Maracatu Nação Fortaleza, Bateria Unidos da Cachorra, Rusga de São Vicente, Bomboémia e Ipum. Através destas narrativas, o estudo reconstrói as trajetórias destes sujeitos, desde o ingresso e aprendizado técnico até a consolidação de uma identidade de “tocador”, “ritmista” ou “brincante”. O estudo enquadra estes coletivos como Comunidades de Prática Musical (CoPM), onde o aprendizado ocorre através do convívio e da participação ativa, sem a separação rígida entre ensino e performance. 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A análise dialoga com a Teoria do Ator-Rede (TAR), de Bruno Latour (2012), para conceber o “tocador” como um híbrido entre humano e instrumento, mediado pela rede do grupo. Utiliza-se também o mapa das mediações de Jesús Martín-Barbero para articular as dimensões da produção musical (o fazer, o ensaiar) e do consumo cultural (a fruição de repertórios e cenas musicais). Os resultados da análise propõem que, num contexto de “modernidade líquida” (Bauman, 2001) e fragmentação social, estes grupos operam como “tribos” (Maffesoli, 1998) que oferecem laços de solidariedade, afeto e uma identidade coletiva estável. A prática percussiva amadora revela-se, assim, não apenas um lazer ou “hobby sério”, mas uma forma de resistência e de viver de forma significativa, onde o compromisso com o grupo e o fazer musical ressignifica o cotidiano, a festa e a experiência da cidade.","This doctoral dissertation investigates the meanings, motivations, and social dynamics of amateur musicians’ participation in street percussion groups, establishing a comparative study between the cities of Fortaleza (Brazil) and Braga (Portugal). The object of study comprises ensembles that, although embedded in distinct cultural traditions, share the centrality of the drum and voluntary mobilization for performance in public space. Using a qualitative methodology, the research is based on 21 in-depth interviews, 19 of which were conducted with members of five selected groups: Maracatu Nação Fortaleza, Bateria Unidos da Cachorra, Rusga de São Vicente, Bomboémia, and Ipum. Through these narratives, the study reconstructs the participants’ trajectories, from entry into the groups and technical learning to the consolidation of an identity as a “tocador”, “ritmista” or “brincante”. The study frames these collectives as Communities of Musical Practice (CoMP), in which learning occurs through coexistence and active participation, without a rigid separation between teaching and performance. The analysis draws on Bruno Latour’s Actor–Network Theory (ANT) (2012) to conceptualize the “player” as a hybrid between human and instrument, mediated by the group's network. It also draws on Jesús Martín-Barbero’s map of mediations to articulate the dimensions of musical production (making and rehearsing) and cultural consumption (enjoying repertoires and musical scenes). The results suggest that, in a context of “liquid modernity” (Bauman, 2001) and social fragmentation, these groups operate as “tribes” (Maffesoli, 1998) that provide bonds of solidarity, affection, and a stable collective identity. Amateur percussion practice thus emerges not merely as leisure or a form of “serious leisure,” but as a mode of resistance and meaningful living, in which commitment to the group and to musical practice re-signifies everyday life, festivity, and the experience of the city."]},{"key":"dc:title","label":"Title","values":["Meu coração se deixou levar: a experiência amadora de percussão em grupos de rua no Brasil e em Portugal"]}]}],"canonical_facts":{"dc:contributor.advisor":["Pires, Helena","Rabot, Jean-Martin"],"dc:creator":["Marques, Fábio Freitas"],"dc:date.accessioned":["2026-07-06T13:24:26Z"],"dc:date.issued":["2026-06-17"],"dc:description.abstract":["A presente tese de doutoramento investiga os sentidos, as motivações e as dinâmicas sociais da participação de músicos amadores em grupos de percussão de rua, estabelecendo um estudo comparativo entre as cidades de Fortaleza (Brasil) e Braga (Portugal). 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A análise dialoga com a Teoria do Ator-Rede (TAR), de Bruno Latour (2012), para conceber o “tocador” como um híbrido entre humano e instrumento, mediado pela rede do grupo. Utiliza-se também o mapa das mediações de Jesús Martín-Barbero para articular as dimensões da produção musical (o fazer, o ensaiar) e do consumo cultural (a fruição de repertórios e cenas musicais). Os resultados da análise propõem que, num contexto de “modernidade líquida” (Bauman, 2001) e fragmentação social, estes grupos operam como “tribos” (Maffesoli, 1998) que oferecem laços de solidariedade, afeto e uma identidade coletiva estável. A prática percussiva amadora revela-se, assim, não apenas um lazer ou “hobby sério”, mas uma forma de resistência e de viver de forma significativa, onde o compromisso com o grupo e o fazer musical ressignifica o cotidiano, a festa e a experiência da cidade.","This doctoral dissertation investigates the meanings, motivations, and social dynamics of amateur musicians’ participation in street percussion groups, establishing a comparative study between the cities of Fortaleza (Brazil) and Braga (Portugal). The object of study comprises ensembles that, although embedded in distinct cultural traditions, share the centrality of the drum and voluntary mobilization for performance in public space. Using a qualitative methodology, the research is based on 21 in-depth interviews, 19 of which were conducted with members of five selected groups: Maracatu Nação Fortaleza, Bateria Unidos da Cachorra, Rusga de São Vicente, Bomboémia, and Ipum. Through these narratives, the study reconstructs the participants’ trajectories, from entry into the groups and technical learning to the consolidation of an identity as a “tocador”, “ritmista” or “brincante”. The study frames these collectives as Communities of Musical Practice (CoMP), in which learning occurs through coexistence and active participation, without a rigid separation between teaching and performance. The analysis draws on Bruno Latour’s Actor–Network Theory (ANT) (2012) to conceptualize the “player” as a hybrid between human and instrument, mediated by the group's network. It also draws on Jesús Martín-Barbero’s map of mediations to articulate the dimensions of musical production (making and rehearsing) and cultural consumption (enjoying repertoires and musical scenes). The results suggest that, in a context of “liquid modernity” (Bauman, 2001) and social fragmentation, these groups operate as “tribes” (Maffesoli, 1998) that provide bonds of solidarity, affection, and a stable collective identity. 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