Universidade Federal de Viçosa
Pedogeoarqueologia de antropossolos da Amazônia Oriental: sambaquis e terras pretas de índio
Abstract
dc:description.abstractAssim como em outros espaços, o advento do homem pré-colombiano infligiu modificações ao ambiente amazônico, que foram expressas principalmente na forma de transformações na sua vegetação, nos seus assentamentos e cercanias. Dentre as intervenções, pode-se citar as descritas na ilha de Marajó denominadas de Tesos (Mounds), que correspondem a elevações no terreno, originados do retrabalhamento de paleocanais e com evidências de modificações antrópicas. Como também os marcos na paisagem denominados de sambaquis, estruturas arqueológicas cuja matriz estratigráfica é constituída predominantemente por conchas. Como resultado das tradições praticadas pelos grupos sociais, produziu-se alterações também nas características dos solos, modificando suas propriedades físicas e químicas, e alterando sua aptidão, dando origem aos Arqueo-antropossolos, que tem na sua gênese discussões sobre a intencionalidade ou casualidade dos resultado destas alterações no ambiente. A partir da percepção de que o estudo da distribuição das características físicas e químicas destes Arqueo-antropossolos poderia contribuir com a interpretação das antigas civilizações e do histórico de uso destes, além de contribuir para o desenvolvimento agrícola, sua exploração do ponto de vista cientifico foi então intensificada. Entretanto, o estado da arte da pedoarqueologia referente a estes solos no Brasil se construiu com base em sítios do Baixo e Médio Amazonas, e de poucos sambaquis do Sudeste do país, sendo raros os trabalhos com esta abordagem nos sítios arqueológicos da ilha de Marajó, mesmo com os estudos arqueológicos que apontam para esta área como o local de desenvolvimento de uma das principais culturas ceramistas da história. Neste trabalho, apresenta-se e discute-se os resultados da caracterização química, física, mineralógica, geoquímica e cronologia de Arqueo-antropossolos da ilha de Marajó (Terras Pretas e Terras Mulatas) e do município de Quatipuru (Sambaqui), ambos localizados no estado do Pará, Amazônia Oriental, bem como a influência das propriedades químicas, físicas e geoquímicas na separação entre estes solos utilizando analise de componentes principais (PCA). As amostras foram submetidas as análises físico-químicas de rotina, fracionamento de P, difração de raio-X, datação por radiocarbono (C14 ), digestão sulfurica, dissolução seletiva de ditionito citrato bicarbonato e oxalato de amônio, além de caracterização microquímica com MEV acoplado em EDS das frações silte e argila. O Arqueo-antropossolo do Teso da Ilha de Marajó revelou média mais elevada para P, K e Mn, enquanto as Terras Pretas apresentaram maiores médias de Ca, Mg e SB e CTC, indicando diferenças nas características químicas das Terras Pretas Arqueológicas em decorrência das diferentes fases de ocupação da ilha, além dos diferentes tipos de solos em que procederam-se as ocupações, retratados também na espessura dos horizontes e quantidade de artefatos ou fragmentos encontrados. As Terras Pretas Arqueológicas de Marajó com características geoquímicas e físicas de maior semelhança, segundo a análise de componentes principais (PCA), foram P02 (Teso) e P03 (TPA), por apresentarem maior enriquecimento químico, em contraste com as demais Terras Pretas Arqueológicas da ilha. A fração de P inorgânico predominante nos solos de Marajó é a ligada ao Fe, enquanto o solo desenvolvido no sambaqui de Quatipuru é a ligada ao Ca, em que se observa os maiores valores nos horizontes com maiores teores de matéria orgânica, provavelmente devido a mecanismos de estabilização. A mineralogia das frações areia e silte são constituídas por feldspato, quartzo e por calcita. O solo do sambaqui ainda possui grande reserva de apatita biogênica primária, materiais malacológicos, sendo observado a predominância de hidroxiapatita, halita, e calcita na fração argila. Foram observados ainda presença de argilominerais 2:1 no solo. As datações realizadas em Quatipuru variaram entre 4920 ± 30 AP a 500 ± 30 AP, e indicam intervalos consideráveis de aproximadamente 200 anos do período caracterizado como de abandono do sitio. Os resultados das datações indicaram também inconsistências com as anteriormente realizadas, e provável inversão de camadas. Palavras-chave: Terra Preta Arqueológica. Arqueo-antropossolos. Pedoarqueologia.
Degree
thesis:*- Grantor dc:publisher
- Universidade Federal de Viçosa
- Year dc:date.issued
- 2020
Author and committee
dc:creator, dc:contributor.*- Author dc:creator
-
- Lourenço, Valéria Ramos
- Advisor dc:contributor.advisor
-
- Francelino, Márcio Rocha
- Contributors dc:contributor
-
- Schaefer, Carlos Ernesto G.R
Subjects
dc:subject × 3Rights
dc:rights- Statement dc:rights
-
- Acesso Aberto
- Language dc:language.iso
- por
Identifiers
dc:identifier.*- Repository record dc:identifier.uri
- https://locus.ufv.br/handle/123456789/33896
- OAI identifier oai:identifier
- oai:locus.ufv.br:123456789/33896