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Universidade Federal de Viçosa

Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, segundo o grau de processamento, forma de aquisição e fatores associados: dados da pesquisa de orçamentos familiares 2008/2009

Abstract

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Objetivo: Analisar a disponibilidade domiciliar de alimentos segundo o grau de processamento e forma de aquisição e a sua associação com a renda, estado nutricional e situação de segurança alimentar, nas macrorregiões brasileiras e áreas urbana e rural. Metodologia: Estudo transversal com dados de aquisição de alimentos de 55.970 domicílios, provenientes da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008/09. A aquisição alimentar foi avaliada pelo registro da quantidade adquirida nos domicílios durante sete dias consecutivos. Os alimentos foram convertidos em calorias, classificados em in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários, processados e ultraprocessados e estratificados por região, área e renda domiciliar. A aquisição alimentar foi estratificada em monetária (compra), não monetária (doação e troca) e produção para o autoconsumo. As diferenças entre as comparações foram avaliadas com os testes t de Student e análise de variância (ANOVA) com correção de bonferroni, com nível descritivo de 0,05 para significância estatística. Modelos de regressão logística multinomial foram utilizados para avaliar a relação entre tercis de disponibilidade calórica das formas de aquisição (compra, não monetária e produção para autoconsumo) e a situação de segurança alimentar na dimensão disponibilidade, características sociodemográficas, disponibilidade de calorias fornecidas por alimentos de acordo com o grau de processamento e prevalência do estado nutricional dos indivíduos. Os valores para prevalência das variáveis foram estimados de acordo com tercis da disponibilidade domiciliar de energia da dieta a partir da forma de aquisição. Resultados: No Brasil, alimentos in natura e minimamente processados corresponderam a 48,9% das calorias disponíveis nos domicílios, ingredientes culinários 23,2%, processados 9,5% e ultraprocessados 18,4%. Houve maior disponibilidade de in natura e minimamente processados (58,9%) e ingredientes culinários (25,8%) na área rural e maior de alimentos processados e ultraprocessados (30,2%) na área urbana, de todas as regiões. A região Norte, seguida da Nordeste e Centro-Oeste, apresentou maior participação calórica de alimentos in natura e minimamente processados (59,1%; 53,8% e 52,2%, respectivamente). De forma inversa, as mesmas regiões apresentaram os menores valores de calorias de ultraprocessados (11,8%; 14,4% e 14,9%) e os maiores as regiões Sul (22,1%) e Sudeste (20,8%). A participação calórica dos alimentos in natura e minimamente processados diminuiu com o aumento de rendimentos na área urbana, enquanto os ultraprocessados apresentaram crescimento com o aumento da classe de renda nas áreas urbana e rural. Houve maior contribuição da aquisição por compras na disponibilidade de alimentos de todas as regiões brasileiras, principalmente na aquisição de alimentos in natura e minimamente processados. A participação de alimentos ultraprocessados por compra tendeu a aumentar nos domicílios com maior renda, enquanto a participação de in natura diminuiu. As aquisições por produção para autoconsumo e não monetária foram maiores na área rural, principalmente a primeira, na aquisição de in natura, com destaque para as regiões Norte e Sul e classes de renda mais altas. No modelo de aquisição por compra houve maior disponibilidade de calorias provenientes de alimentos processados e esta foi menor na região Norte, comparada a Sudeste. A aquisição por produção para autoconsumo apresentou menores valores de situação de insegurança alimentar e de excesso de peso e maior disponibilidade de alimentos de calorias advindas de alimentos in natura e na área rural. Conclusões: As características encontradas em todas as regiões, áreas e classes de rendimento mostraram influência da industrialização nos hábitos alimentares dos brasileiros. O processamento dos alimentos leva ao menor preço e a maior praticidade de consumo e a melhor condição socioeconômica da população mostrou diminuição da disponibilidade de alimentos in natura e aumento de ultraprocessados. A compra é a forma de aquisição de alimentos mais prevalente nos domicílios brasileiros e naqueles onde há aquisição por produção para autoconsumo (áreas rurais, região Norte) há maior disponibilidade de alimentos in natura. Destaca-se a compra, na área urbana, e a produção para autoconsumo, na área rural, como acesso direto aos alimentos e como medidas de alcance para a segurança alimentar. A análise da forma de aquisição dos alimentos evidenciou a importância de conhecer a origem dos alimentos presentes nos domicílios, uma vez que esta dimensão está diretamente relacionada a segurança alimentar, estado nutricional e qualidade dos alimentos, possibilitando uma análise para além do que já é investigado nos hábitos e escolhas alimentares. Além disso, constituem um campo de ação estratégico para promoção sistemas alimentares socialmente equitativos e sustentáveis, e a ampliação do acesso a uma alimentação adequada e saudável. Palavras-chave: Pesquisa de orçamentos familiares. Disponibilidade alimentar. Aquisição de alimentos.

Degree

thesis:*
Grantor dc:publisher
Universidade Federal de Viçosa
Year dc:date.issued
2020

Author and committee

dc:creator, dc:contributor.*
Author dc:creator
  • Dutra, Luiza Veloso
Advisor dc:contributor.advisor
  • Priore, Silvia Eloiza
Contributors dc:contributor
  • Rodrigues, Cristiana Tristão
  • Novaes, Juliana Farias de
  • Lopes, Leidjaira Juvanhol
  • Franceschini, Sylvia do Carmo Castro

Subjects

dc:subject × 3

Rights

dc:rights
Statement dc:rights
  • Acesso Aberto
Language dc:language.iso
por

Identifiers

dc:identifier.*
Repository record dc:identifier.uri
https://locus.ufv.br//handle/123456789/27758
OAI identifier oai:identifier
oai:locus.ufv.br:123456789/27758

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2026-07-24
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Dutra, Luiza Veloso. Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, segundo o grau de processamento, forma de aquisição e fatores associados: dados da pesquisa de orçamentos familiares 2008/2009. Universidade Federal de Viçosa, 2020. https://locus.ufv.br//handle/123456789/27758