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Segundo Rizzini e Butler (2003), o avanço das pesquisas sobre o assunto permitiu perceber que o processo de apropriação da rua se constitui de maneira gradual e progressiva, incorporando-se ao sistema identitário da criança e do adolescente. Desse modo, considerado de maneira isolada, qualquer fator, mesmo que importante, não explica a complexidade do fenômeno. A trajetória seria, portanto, o elemento central que define o lugar que a criança ocupa na rua. O conhecimento dessa trajetória permite compreender a relação que a criança estabelece com a rua como seu espaço prioritário de vida. No presente trabalho, buscou-se compreender como se processam os vínculos das crianças e dos adolescentes com a família, com a rua e com as instituições que as assistem, bem como as implicações do contexto socioeconômico na construção desses vínculos. Foram analisadas as relações entre essas instâncias, de modo a compreender o lugar que elas ocupam nos processos de subjetivação dos sujeitos em questão. A metodologia adotada neste estudo foi a história de vida, tendo sido entrevistados três sujeitos dois adolescentes e uma jovem com vivência de rua. A partir das narrativas, buscou-se contribuir para o entendimento sobre as trajetórias de vida dos participantes, ao esclarecer quais os mecanismos por eles utilizados para incorporar ou rejeitar os significados psicossociais da rua. Os resultados sinalizam que as crianças e adolescentes que se envolveram com grupos na rua em seus percursos, demonstram mais dificuldade de romper com esse universo, haja vista a vinculação imaginária construída com os pares. Observou-se que, nesses grupos, os sujeitos costumam agir, preponderantemente, pelo registro das emoções, construindo, desse modo, uma aliança identitária de difícil ruptura. O convívio com outras realidades, diferentes daquelas experimentadas na rua, permite aos sujeitos a construção de novas referências identificatórias de modo a fragilizar a rua como um campo prioritário em suas vidas. Espera-se, com os resultados desta pesquisa, contribuir para a construção de práticas voltadas para a melhoria de vida das crianças e adolescentes em situação de rua","abstract_html":"A dura realidade das crianças e adolescentes que vivem nas ruas há muito tempo chama a atenção da sociedade. Ao longo da história brasileira, diversas instituições se dispuseram a resolver o problema das crianças de rua; contudo, suas políticas de atendimento costumavam relacionar-se mais com os interesses da sociedade do que propriamente com as necessidades das crianças. Segundo Rizzini e Butler (2003), o avanço das pesquisas sobre o assunto permitiu perceber que o processo de apropriação da rua se constitui de maneira gradual e progressiva, incorporando-se ao sistema identitário da criança e do adolescente. Desse modo, considerado de maneira isolada, qualquer fator, mesmo que importante, não explica a complexidade do fenômeno. A trajetória seria, portanto, o elemento central que define o lugar que a criança ocupa na rua. O conhecimento dessa trajetória permite compreender a relação que a criança estabelece com a rua como seu espaço prioritário de vida. No presente trabalho, buscou-se compreender como se processam os vínculos das crianças e dos adolescentes com a família, com a rua e com as instituições que as assistem, bem como as implicações do contexto socioeconômico na construção desses vínculos. Foram analisadas as relações entre essas instâncias, de modo a compreender o lugar que elas ocupam nos processos de subjetivação dos sujeitos em questão. A metodologia adotada neste estudo foi a história de vida, tendo sido entrevistados três sujeitos dois adolescentes e uma jovem com vivência de rua. A partir das narrativas, buscou-se contribuir para o entendimento sobre as trajetórias de vida dos participantes, ao esclarecer quais os mecanismos por eles utilizados para incorporar ou rejeitar os significados psicossociais da rua. Os resultados sinalizam que as crianças e adolescentes que se envolveram com grupos na rua em seus percursos, demonstram mais dificuldade de romper com esse universo, haja vista a vinculação imaginária construída com os pares. Observou-se que, nesses grupos, os sujeitos costumam agir, preponderantemente, pelo registro das emoções, construindo, desse modo, uma aliança identitária de difícil ruptura. 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