{"id":{"repo_id":"brazil-ufpe","oai_identifier":"oai:repositorio.ufpe.br:123456789/68919"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-ufpe/oai:repositorio.ufpe.br:123456789/68919","repository":{"repo_id":"brazil-ufpe","name":"Brazil UFPE","base_url":"https://repositorio.ufpe.br/oai/request"},"display":{"title":"Suxtenta, Dona Marias!: memória e resistência no discurso artístico de Jéssica Caitano","abstract":"O Sertão e o Nordeste são frequentemente tratados como sinônimos e como lugares de miséria e miseráveis. Tal visão, estereotipada e homogênea é parte de um imaginário que, longe de representar tais lugares, baseia-se em um recorte limitado de uma realidade muito heterogênea, que se repete e cristaliza por meio dos discursos que insistem em situar o Nordeste e o Sertão e, portanto, os nordestinos e sertanejos, nesse lugar da precariedade. Em um desses sertões surge a artista Jéssica Caitano, natural de Triunfo, Sertão do Alto Pajeú pernambucano cuja obra nos inspirou a fazer esta pesquisa que buscou analisar, na obra de Jéssica Caitano, o processo de construção de um discurso artístico e como nele se dão os movimentos de identificação-ruptura-ressignificação do imaginário sobre o sertão como espaço geopolítico-cultural, bem como o que o ele engendra. A partir de uma leitura inicial das obras produzidas entre 2011 e 2020, percebemos uma movimentação em seu fazer artístico-político-poético que agrupamos em 3 recortes temporais, a partir dos quais organizamos nosso corpus analítico: de 2011 a 2014, no qual observamos e analisamos como o lugar, a cultura, a memória e os sujeitos do sertão naturalizado comparecem nas composições da artista e quais deslocamentos se produzem; de 2015 a 2018, no qual mapeamos os movimentos de identificação e deslocamentos da tradição poética do Sertão do Alto Pajeú pela artista; e de 2019 a 2020, no qual descrevemos as potências poética e artística de Jéssica Caitano e analisamos o modo como são atravessadas por questões de gênero, raça, classe e sexualidade. A nossa base teórica está na Análise do Discurso materialista: as noções de imaginário, memória, formação discursiva, formação ideológica (PÊCHEUX; FUCHS 1997), a partir das quais pensamos nas condições de produção e circulação dos discursos, as modalidades de tomada de posição e a noção de equívoco (PÊCHEUX, 1995; 1997; 2006; 2015). Importante, também, a noção pré-construído (COURTINE, 2009), assim como os tipos de discurso, a polissemia e a paráfrase em Orlandi (2001; 2007; 2023) para realizar gestos de interpretação. As análises foram feitas a partir de recortes das composições e de uma entrevista semiestruturada, assim como a sonoridade, o corpo, a performance. Consideramos que esse discurso artístico se constitui a partir da imbricação dessas materialidades discursivas (LAGAZZI, 2015; NECKEL, 2004; 2005). Além disso, dialogamos com a produção acadêmica local que discute sobre os movimentos de resistência de coletivos como Silva (2020), Santana (2018) e Netto e Passos (2020). As análises realizadas nos permitem afirmar que a obra de Jéssica Caitano aponta para um diálogo entre a visão do sertão, historicamente construída por observadores externos - ressignificada, no entanto, pela voz de uma sertaneja, que fala não do que observa ou registra, mas do que vive, sente, experimenta o espaço que habita -, e uma compreensão desse espaço como aquele no qual pulsa a vida que se renova. Na sua obra está um trabalho forte com e sobre a tradição e a memória do sertão e um fazer poético e político que inscreve as mulheres e suas formas diversas de reexistência nesse espaço.","abstract_html":"O Sertão e o Nordeste são frequentemente tratados como sinônimos e como lugares de miséria e miseráveis. 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A nossa base teórica está na Análise do Discurso materialista: as noções de imaginário, memória, formação discursiva, formação ideológica (PÊCHEUX; FUCHS 1997), a partir das quais pensamos nas condições de produção e circulação dos discursos, as modalidades de tomada de posição e a noção de equívoco (PÊCHEUX, 1995; 1997; 2006; 2015). Importante, também, a noção pré-construído (COURTINE, 2009), assim como os tipos de discurso, a polissemia e a paráfrase em Orlandi (2001; 2007; 2023) para realizar gestos de interpretação. As análises foram feitas a partir de recortes das composições e de uma entrevista semiestruturada, assim como a sonoridade, o corpo, a performance. Consideramos que esse discurso artístico se constitui a partir da imbricação dessas materialidades discursivas (LAGAZZI, 2015; NECKEL, 2004; 2005). Além disso, dialogamos com a produção acadêmica local que discute sobre os movimentos de resistência de coletivos como Silva (2020), Santana (2018) e Netto e Passos (2020). 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As análises realizadas nos permitem afirmar que a obra de Jéssica Caitano aponta para um diálogo entre a visão do sertão, historicamente construída por observadores externos - ressignificada, no entanto, pela voz de uma sertaneja, que fala não do que observa ou registra, mas do que vive, sente, experimenta o espaço que habita -, e uma compreensão desse espaço como aquele no qual pulsa a vida que se renova. 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