{"id":{"repo_id":"brazil-ufpe","oai_identifier":"oai:repositorio.ufpe.br:123456789/64211"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-ufpe/oai:repositorio.ufpe.br:123456789/64211","repository":{"repo_id":"brazil-ufpe","name":"Brazil UFPE","base_url":"https://repositorio.ufpe.br/oai/request"},"display":{"title":"Processos de circulação e mistura no estuário do rio Ipojuca: implicações para a qualidade ambiental","abstract":"O presente estudo investigou a circulação, mistura e transporte de sal e sólidos em suspensão no estuário do rio Ipojuca, Brasil, e seus efeitos na qualidade da água e na distribuição de contaminantes. A pesquisa foi dividida em três artigos, que abordaram aspectos distintos, mas complementares, da dinâmica estuarina. O primeiro artigo analisou a variabilidade espacial e temporal da qualidade da água em uma estação estuarina (IP-97/CPRH) e fluvial (IP 90/CPRH), utilizando dados históricos entre 1990-2022. Os resultados mostraram que durante a estação seca, a qualidade da água na estação fluvial foi significativamente comprometida, com maiores temperaturas (27,9°C), menores concentrações de oxigênio dissolvido (OD = 2,9±2,6 mg L-1), e elevados níveis de demanda bioquímica de oxigênio (DBO = 13,6±17,5 mg L-1) e coliformes fecais (51.780±71.200 NMP/100mL). Já na estação estuarina (IP-97), os efeitos da diluição pelas águas marinhas resultaram em melhores parâmetros de qualidade, mas a presença de poluentes acumulados aos sedimentos de fundo ainda representava um risco. A análise indicou que a sazonalidade, especialmente o período de colheita da cana-de-açúcar e o aumento da atividade turística, influencia negativamente a qualidade da água estuarina, com a recomendação de medidas de controle de poluição agrícola e melhoria da infraestrutura de saneamento. O segundo artigo focou na dinâmica do total de sólidos em suspensão (TSS) e na localização da Zona de Turbidez Máxima (ZTM) ao longo do estuário. Durante a estação chuvosa, as concentrações de TSS foram 3,45 vezes maiores que na estação seca, variando entre 8,6-241,2 mg L-1, associadas ao aumento da descarga fluvial. A ZTM, que indicou áreas críticas de acumulação de sedimentos e poluentes, variou entre 1,8-2,2 km da foz na estação chuvosa e de 2-10 km na seca. A ZTM coincidiu com a área de mistura entre água fluvial e marinha, com salinidade variando entre 0,5-10. Esses dados reforçam a importância da ZTM para a dinâmica de poluentes e para a gestão de sedimentos no estuário. O terceiro artigo identificou os padrões de circulação e mistura que governam o transporte de sal e o transporte de sólidos em suspensão ao longo do estuário. abordou a circulação e mistura no estuário, com ênfase nas interações entre marés e descarga fluvial. O transporte de sal é maior próximo à foz, dominado por descarga fluvial e circulação gravitacional, enquanto no interior do estuário prevalecem correlação de maré e maior influência fluvial, com variações sazonais. Possui um tempo de residência de 1,43 dias, facilitando a troca de água com o oceano e contribuindo para a autodepuração. Durante a estação chuvosa, o aumento da descarga fluvial provocou maior transporte de sedimentos (251,64 mg m-1 s-1), enquanto na estação seca os valores caíram drasticamente para 7,91 mg m-1 s-1. O estuário possui estratificação moderada (tipo 1b, diagrama de Hansen&Rattray). A diferença morfobatimétrica (2017/2021) indicou uma tendência de assoreamento no médio estuário, próximo à foz e na praia de muro alto (≈+1m). Os resultados indicam que a qualidade da água no estuário do rio Ipojuca é amplamente influenciada pela sazonalidade e pelas atividades humanas. A interação entre a descarga fluvial, as marés e a acumulação de sedimentos determinam a dinâmica de transporte de poluentes, destacando a necessidade urgente de estratégias de gestão integrada, com ênfase no controle da poluição agrícola e na restauração de áreas de manguezais para melhorar a resiliência ecológica. A pesquisa contribui para a compreensão dos processos estuarinos e fornece subsídios para o planejamento de ações de conservação e manejo sustentável do estuário.","abstract_html":"O presente estudo investigou a circulação, mistura e transporte de sal e sólidos em suspensão no estuário do rio Ipojuca, Brasil, e seus efeitos na qualidade da água e na distribuição de contaminantes. A pesquisa foi dividida em três artigos, que abordaram aspectos distintos, mas complementares, da dinâmica estuarina. O primeiro artigo analisou a variabilidade espacial e temporal da qualidade da água em uma estação estuarina (IP-97/CPRH) e fluvial (IP 90/CPRH), utilizando dados históricos entre 1990-2022. Os resultados mostraram que durante a estação seca, a qualidade da água na estação fluvial foi significativamente comprometida, com maiores temperaturas (27,9°C), menores concentrações de oxigênio dissolvido (OD = 2,9±2,6 mg L-1), e elevados níveis de demanda bioquímica de oxigênio (DBO = 13,6±17,5 mg L-1) e coliformes fecais (51.780±71.200 NMP/100mL). Já na estação estuarina (IP-97), os efeitos da diluição pelas águas marinhas resultaram em melhores parâmetros de qualidade, mas a presença de poluentes acumulados aos sedimentos de fundo ainda representava um risco. 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A diferença morfobatimétrica (2017/2021) indicou uma tendência de assoreamento no médio estuário, próximo à foz e na praia de muro alto (≈+1m). Os resultados indicam que a qualidade da água no estuário do rio Ipojuca é amplamente influenciada pela sazonalidade e pelas atividades humanas. A interação entre a descarga fluvial, as marés e a acumulação de sedimentos determinam a dinâmica de transporte de poluentes, destacando a necessidade urgente de estratégias de gestão integrada, com ênfase no controle da poluição agrícola e na restauração de áreas de manguezais para melhorar a resiliência ecológica. 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A análise indicou que a sazonalidade, especialmente o período de colheita da cana-de-açúcar e o aumento da atividade turística, influencia negativamente a qualidade da água estuarina, com a recomendação de medidas de controle de poluição agrícola e melhoria da infraestrutura de saneamento. O segundo artigo focou na dinâmica do total de sólidos em suspensão (TSS) e na localização da Zona de Turbidez Máxima (ZTM) ao longo do estuário. Durante a estação chuvosa, as concentrações de TSS foram 3,45 vezes maiores que na estação seca, variando entre 8,6-241,2 mg L-1, associadas ao aumento da descarga fluvial. A ZTM, que indicou áreas críticas de acumulação de sedimentos e poluentes, variou entre 1,8-2,2 km da foz na estação chuvosa e de 2-10 km na seca. A ZTM coincidiu com a área de mistura entre água fluvial e marinha, com salinidade variando entre 0,5-10. Esses dados reforçam a importância da ZTM para a dinâmica de poluentes e para a gestão de sedimentos no estuário. O terceiro artigo identificou os padrões de circulação e mistura que governam o transporte de sal e o transporte de sólidos em suspensão ao longo do estuário. abordou a circulação e mistura no estuário, com ênfase nas interações entre marés e descarga fluvial. O transporte de sal é maior próximo à foz, dominado por descarga fluvial e circulação gravitacional, enquanto no interior do estuário prevalecem correlação de maré e maior influência fluvial, com variações sazonais. Possui um tempo de residência de 1,43 dias, facilitando a troca de água com o oceano e contribuindo para a autodepuração. Durante a estação chuvosa, o aumento da descarga fluvial provocou maior transporte de sedimentos (251,64 mg m-1 s-1), enquanto na estação seca os valores caíram drasticamente para 7,91 mg m-1 s-1. O estuário possui estratificação moderada (tipo 1b, diagrama de Hansen&Rattray). 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