{"id":{"repo_id":"brazil-ufpe","oai_identifier":"oai:repositorio.ufpe.br:123456789/57563"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-ufpe/oai:repositorio.ufpe.br:123456789/57563","repository":{"repo_id":"brazil-ufpe","name":"Brazil UFPE","base_url":"https://repositorio.ufpe.br/oai/request"},"display":{"title":"Variação espacial da mortalidade e recuperação de Millepora alcicornis após evento de branqueamento no complexo recifal costeiro de Tamandaré, Atlântico Sul Ocidental","abstract":"Os recifes de corais estão sofrendo globalmente com o aumento da frequência e intensificação dos grandes eventos de anomalias térmicas nos oceanos. Neste contexto, até recifes que antes eram considerados mais resistentes a tais oscilações térmicas, apresentaram elevadas taxas de mortalidade no último grande evento de branqueamento em massa (2019/2020). Dessa forma, a compreensão e gestão das características ambientais locais vem se tornando uma das principais alternativas para aumentar a resiliência e promover a recuperação desses ecossistemas. Condições de qualidade da água, taxa de sedimentação, características geomorfológicas (e.g. profundidade, distância da costa), competição com outros organismos e regime de proteção, nas quais os organismos estão inseridos, podem ser determinantes nos impactos pós branqueamento, influenciando nas taxas de mortalidade ou recuperação dos corais. Sendo assim importante a compreensão integrada das mesmas, em conjunto com a quantificação dos impactos gerados pelo branqueamento. Buscando colaborar com o esforço científico voltado para tal problemática, no presente estudo, apresentamos uma visão ampla sobre os padrões de mortalidade e recuperação do hidrocoral Millepora alcicornis, pós evento de branqueamento em massa de 2019/2020, associados a variáveis espaciais e ambientais em um complexo recifal costeiro localizado na costa nordeste do Brasil. Os percentuais de mortalidade foram apresentados e correlacionados com variáveis espaciais (profundidade, distância da costa e zonação recifal (topo, crista e fundo)), morfológica (tamanho das colônias) e de regime de proteção (área fechada x área aberta). Além disso, descrevemos por quais organismos os esqueletos mortos estão sendo colonizados e como a perda da cobertura viva de Millepora alcicornis interage com as populações de peixes e ouriços. Apresentamos ainda uma caracterização da qualidade da água e taxa de sedimentação ao longo de um gradiente de distanciamento das principais fontes fluviais da região, discutindo de que forma as mesmas interferem nos processos de resistência e recuperação das populações de corais observadas pós situações de estresse térmico. Foi possível identificar que, colônias localizadas no topo dos recifes, em menores profundidades e mais próximas da costa, sofreram mais com o evento de branqueamento de 2019/2020, apresentando taxas de mortalidade que chegaram a mais de 90% em alguns recifes. Os nutrientes dissolvidos e clorofila-a, apresentaram baixa variação espacial e alta variação sazonal no complexo recifal, sendo relatada água com características oligotróficas durante todo o período de amostragem. A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, que diferiram dos padrões observados nos mesmos locais há 17 anos (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). A sazonalidade dos padrões de sedimentação é elevada, estando associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apontou para o aporte de sedimento siliciclástico e maior presença de grãos com característica lamosa (<63 mm). A presença de LABs no sedimento foi analisada tendo sido possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais próximos à saída dos rios. Os resultados encontrados indicam uma maior vulnerabilidade dos hidrocorais à mortalidade, pós estresse térmico, em recifes mais próximos da costa e em baixas profundidades. O cenário de impactos crônicos diminui a capacidade de recuperação natural e induz elevadas taxas de mortalidade. O investimento e implementação de iniciativas de restauração passiva e ativa deve ser guiado pelas variações espaciais, bem como considerar a intensificação do monitoramento e mitigação de fonte de impactos crônicos pela gestão local, para o maior fortalecimento destes ecossistemas face a mudanças climáticas e a manutenção dos importantes serviços ecossistêmicos para a região.","abstract_html":"Os recifes de corais estão sofrendo globalmente com o aumento da frequência e intensificação dos grandes eventos de anomalias térmicas nos oceanos. Neste contexto, até recifes que antes eram considerados mais resistentes a tais oscilações térmicas, apresentaram elevadas taxas de mortalidade no último grande evento de branqueamento em massa (2019/2020). Dessa forma, a compreensão e gestão das características ambientais locais vem se tornando uma das principais alternativas para aumentar a resiliência e promover a recuperação desses ecossistemas. Condições de qualidade da água, taxa de sedimentação, características geomorfológicas (e.g. profundidade, distância da costa), competição com outros organismos e regime de proteção, nas quais os organismos estão inseridos, podem ser determinantes nos impactos pós branqueamento, influenciando nas taxas de mortalidade ou recuperação dos corais. Sendo assim importante a compreensão integrada das mesmas, em conjunto com a quantificação dos impactos gerados pelo branqueamento. 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A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, que diferiram dos padrões observados nos mesmos locais há 17 anos (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). A sazonalidade dos padrões de sedimentação é elevada, estando associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apontou para o aporte de sedimento siliciclástico e maior presença de grãos com característica lamosa (&lt;63 mm). A presença de LABs no sedimento foi analisada tendo sido possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais próximos à saída dos rios. 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Apresentamos ainda uma caracterização da qualidade da água e taxa de sedimentação ao longo de um gradiente de distanciamento das principais fontes fluviais da região, discutindo de que forma as mesmas interferem nos processos de resistência e recuperação das populações de corais observadas pós situações de estresse térmico. Foi possível identificar que, colônias localizadas no topo dos recifes, em menores profundidades e mais próximas da costa, sofreram mais com o evento de branqueamento de 2019/2020, apresentando taxas de mortalidade que chegaram a mais de 90% em alguns recifes. Os nutrientes dissolvidos e clorofila-a, apresentaram baixa variação espacial e alta variação sazonal no complexo recifal, sendo relatada água com características oligotróficas durante todo o período de amostragem. A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, que diferiram dos padrões observados nos mesmos locais há 17 anos (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). A sazonalidade dos padrões de sedimentação é elevada, estando associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apontou para o aporte de sedimento siliciclástico e maior presença de grãos com característica lamosa (<63 mm). A presença de LABs no sedimento foi analisada tendo sido possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais próximos à saída dos rios. 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A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, que diferiram dos padrões observados nos mesmos locais há 17 anos (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). A sazonalidade dos padrões de sedimentação é elevada, estando associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apontou para o aporte de sedimento siliciclástico e maior presença de grãos com característica lamosa (<63 mm). A presença de LABs no sedimento foi analisada tendo sido possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais próximos à saída dos rios. Os resultados encontrados indicam uma maior vulnerabilidade dos hidrocorais à mortalidade, pós estresse térmico, em recifes mais próximos da costa e em baixas profundidades. O cenário de impactos crônicos diminui a capacidade de recuperação natural e induz elevadas taxas de mortalidade. 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