{"id":{"repo_id":"brazil-ufpe","oai_identifier":"oai:repositorio.ufpe.br:123456789/56658"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-ufpe/oai:repositorio.ufpe.br:123456789/56658","repository":{"repo_id":"brazil-ufpe","name":"Brazil UFPE","base_url":"https://repositorio.ufpe.br/oai/request"},"display":{"title":"Entre dominação e resistência : cotidiano e lutas de homens e mulheres do campo em Alagoa Grande e região - 1964-1985","abstract":"Durante a segunda metade do século XX, as transformações pelas quais a área da zona canavieira da Paraíba passou estão estritamente relacionadas à exploração da cultura da cana- de-açúcar. Nesse espaço e numa conjuntura política de um estado autoritário (1964-1985), um conjunto de eventos históricos explica, em sua própria imbricação, as tranformações e mudanças experienciadas por homens e mulheres que laboravam no mundo rural dessas áreas. A chamada “modernização” da indústria da sacarose; a intensificação desenfreada da concentração fundiária; a expansão dos canaviais; a crescente violência patronal contra a gente despossuída do campo; a expulsão de moradores de engenhos, obrigando-os a migrarem para as periferias urbanas, o que redesenhou os perímetros urbanos das grandes e pequenas cidades. O modelo de governo antidemocrático instituído durante o período de 1964 a 1985 empoderou as classes dominantes que concentraram ainda mais em suas mãos capitais econômico, político, social e simbólico. Todos esses fatores permitiram a intensificação da precarização das relações de trabalho e das condições de vida, bem como da pobreza, da miséria no campo e nas pontas de rua. Esta tese de doutoramento estuda as práticas de dominação de senhores de terra e de política, como também as lutas de resistência da classe trabalhadora rural em Alagoa Grande - município localizado na microrregião do Brejo, a cerca de 120 km a oeste da capital do estado - em diálogo constante com as diversas experiências ocorridas em outras regiões da zona canavieira da Paraíba. Foram várias as tentativas de mobilização de esforços por homens e mulheres do campo no sentido de conter esse processo de dominação, investindo forças, por meio de diferentes formas de resistência, contra todas as situações de opressão vivenciadas no cotidiano e refletidas diretamente em suas condições de vida e de trabalho. Os embates travados entre empregadores e empregados, moradores e proprietários, rendeiros e senhores de terra constituíram na zona canavieira um espaço de tensão e ocuparam páginas de jornais, mobilizando uma parcela da sociedade. Por meio da arte de resistir, trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam diversos espaços formais e não formais, denunciando e promovendo embates. As páginas da imprensa, os sindicatos, os fóruns, as ruas, as praças e as igrejas se tornaram lugares de uma luta política que permitiu o enfraquecimento da dominação das elites agrárias e políticas, denunciando a exploração, a violência patronal e do próprio Estado. O abundante material documental utilizado nesta tese permitiu reescrever as experiências dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da zona canavieira da Paraíba, possibilitando identificar que as lutas de resistência consentiram fraturar as velhas relações no campo e construir condições para uma reconfiguração nas relações de poder e de trabalho no mundo rural, situação que lhes propiciou sair do silêncio e evocar seus lugares na sociedade enquanto sujeitos de direitos.","abstract_html":"Durante a segunda metade do século XX, as transformações pelas quais a área da zona canavieira da Paraíba passou estão estritamente relacionadas à exploração da cultura da cana- de-açúcar. Nesse espaço e numa conjuntura política de um estado autoritário (1964-1985), um conjunto de eventos históricos explica, em sua própria imbricação, as tranformações e mudanças experienciadas por homens e mulheres que laboravam no mundo rural dessas áreas. 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