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Desta perspectiva, a obra de Giambattista Vico avulta sobre as demais por ser a matriz teórica da doutrina culturalista, quer dizer, a reflexão que gerou os parâmetros epistemológicos e antropológicos que permitiram a essa teoria elevar-se ao nível de uma paradigma. Donde justificar-se a maior extensão do capítulo consagrado a Vico, no qual se argüi, ou pelo menos se tenta argüir, tanto a teoria do conhecimento quanto a teoria geral da cultura, contidas na principal obra do autor, a Ciência Nova. Ambas as teorias sobressaem no panorama de idéias do século XVIII por sua orientação explicitamente anticartesiana. À análise de Vico segue-se a de Herder, cuja reputação anti-iluminista e anti-cartesiana dispensa comentar suas afinidades com o companheiro de ofício napolitano, a quem, aliás, sucedeu, volutariamente ou não, na medida em que fortaleceu seu legado teórico íncorporando-lhe noções tais como Volkgeist e Fortgang, a saber, \"espírito do povo\" e \"progressão cultural\" (esta sem substituição ao conceito de \"progresso linear\", dos iluministas). Por último, Dilthey, que a propósito deve ser apresentado como o autor do método complementar da teoria, o método hermenêutico, cuja fórmula epistemológica se acha descrita no capítulo que expõe a base metodológica do paradigma. A conclusão tenta demostrar o nexo existente entre as idéias dos três filósofos e a teoria assentada na Antropologia como culturalismo. Além disso, argumenta a favor do historicismo, de cuja doutrina a teoria culturalista inequivocamente procede, transformada em bête-noir da atualidade em virtude da suspeita de \"irracionalismo\" que lhe conferiu a voga acadêmica pós-moderna, empenhada em expurgar a subjetividade - leia-se História, leia-se Cultura - da ciência.","abstract_html":"Compõe-se a presente dissertação de três capítulos – respectivamente dedicados à análise da obra de Vico, Herder e Dilthey - e de uma conclusão, sendo que o capítulo referente a Dilthey substitui a nota metodológica. Trata-se de uma tentativa de inventariar os conceitos de Filosofia correntemente associados sob a forma do paradigma antropológico designado como &quot;culturalismo&quot;. A rigor, visa a pesquisa a reunir elementos que proporcionem uma resposta satisfatória à pergunta: que é culturalismo? Desta perspectiva, a obra de Giambattista Vico avulta sobre as demais por ser a matriz teórica da doutrina culturalista, quer dizer, a reflexão que gerou os parâmetros epistemológicos e antropológicos que permitiram a essa teoria elevar-se ao nível de uma paradigma. Donde justificar-se a maior extensão do capítulo consagrado a Vico, no qual se argüi, ou pelo menos se tenta argüir, tanto a teoria do conhecimento quanto a teoria geral da cultura, contidas na principal obra do autor, a Ciência Nova. Ambas as teorias sobressaem no panorama de idéias do século XVIII por sua orientação explicitamente anticartesiana. 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