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Separamos quatro comerciais que apresentaram o homem como personagem central como guia para o estudo da imagem discursiva de masculinidade. Nosso problema de pesquisa consiste em apresentar opções de análise que permitam demonstrar o quanto a linguagem e o discurso podem validar e corroborar práticas sociais que lhes parecem dissociadas. Para tanto, descrevemos as imagens de masculinidade a partir de seus elementos constitutivos no momento da enunciação, como o etos (MAINGUENEAU, 2001) do homem que surge nos comerciais e a performatividade (AUSTIN, 1962; BUTLER, 1997) que esse etos implica. Os movimentos no cenário e as músicas nos comerciais são tomados como marcadores do espaço e tempo, elementos cuja relação intersemiótica (MAINGUENEAU, 2005a) é constituinte de uma cenografia discursiva (MAINGUENEAU, 2001) dos comerciais e lugar onde o etos se pronuncia. Procuramos descrever o modo de operação dos comerciais a fim de entendermos a dinâmica do gênero ‘comercial’ como fato discursivo e seus efeitos de memória (COURTINE, 2014), memória atualizada pelo etos e pelas imagens (fotos, cenário) (COURTINE, 2013b). Assim, por meio da perspectiva da semântica global, tomamos outras noções que as propostas por Maingueneau (2005a) para nossas análises. O foco na memória discursiva contida no etos nos revelou que as imagens de homem nos comerciais foram pautadas numa performance de hipermasculinidade advinda de uma tradição conservadora em que persiste a dominação masculina (BOURDIEU, 2005) que interditava o trabalho do lar aos homens","abstract_html":"Nesta tese, propomos uma análise discursiva de comerciais de produtos de limpeza que incluíssem a imagem do homem em atividade de trabalho doméstico. 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