{"id":{"repo_id":"brazil-uff","oai_identifier":"oai:app.uff.br:1/43633"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-uff/oai:app.uff.br:1/43633","repository":{"repo_id":"brazil-uff","name":"Brazil UFF","base_url":"https://app.uff.br/oai/request"},"display":{"title":"Edificações nas terras beneditinas fluminenses ao longo dos séculos XVII e XVIII","abstract":"A influência das ordens religiosas no Brasil colonial, em especial jesuítas e beneditinos, exerceu influência decisiva na conformação territorial, cultural e arquitetônica do país desde a segunda metade do século XVI. Inicialmente instaladas nas capitais litorâneas, Salvador e Rio de Janeiro, essas ordens expandiram sua atuação para áreas rurais e regiões afastadas, contribuindo para a catequese dos povos indígenas, para a educação da população e para o ordenamento econômico e social das novas vilas. No Rio de Janeiro, jesuítas e beneditinos estabeleceram importantes núcleos religiosos e produtivos que se estenderam do litoral aos extremos norte e sul da capitania, alcançando Paraty, Angra dos Reis, Niterói e Campos dos Goytacazes. As ordens possuíam vastas propriedades urbanas e rurais, muitas obtidas por doações ou aquisições desde o final do século XVI, configurando-se como grandes latifundiárias. Em Campos dos Goytacazes, dois exemplares arquitetônicos coloniais de grande relevância permanecem ainda hoje de pé: o Solar do Colégio Jesuíta e a sede da antiga Fazenda Beneditina em Mussurepe. Ambas as edificações, datadas entre o final do século XVII e início do XVIII, localizam-se na Baixada Campista e encontram-se tombadas por órgãos municipais, estaduais e federais. A partir de experiência profissional em 2016, o autor realizou estudos aprofundados sobre a edificação beneditina de Mussurepe, cujas técnicas construtivas se destacam pelo uso integral de alvenaria de tijolos maciços, em contraste com outros imóveis contemporâneos que incorporaram material pétreo. A investigação incluiu prospecções arquitetônicas, análise das fundações e levantamento documental em arquivos da Ordem de São Bento, especialmente os Estados Trienais e o Dietário do Mosteiro do Rio de Janeiro, documentos essenciais para compreender práticas administrativas e construtivas entre os séculos XVII e XVIII. Os estudos evidenciam que a ocupação beneditina rural fluminense articulou atividades agropecuárias e manufatureiras, como criação de gado, cultivo de cana-de-açúcar, produção de aguardente e fabricação de tijolos e telhas. Tais atividades demandavam edificações sólidas, que combinavam técnicas tradicionais portuguesas, influências dos tratados de arquitetura da época e o saber prático de indígenas, escravizados africanos e mão de obra especializada. A pesquisa, de natureza qualitativa, fundamentou-se em visitas de campo, análise de remanescentes arquitetônicos, estudos comparativos com outras construções beneditinas e levantamento de documentação no Brasil e em Portugal. A tese organiza-se em seções que abordam: a chegada dos beneditinos a Portugal e ao Brasil, destacando a reforma dos mosteiros portugueses no século XVI e a formação da Congregação Brasileira; o intercâmbio artístico e técnico entre Portugal e Brasil, incluindo a influência de tratadistas especialmente Serlio; os impactos da Reforma de Trento e da reforma beneditina nas práticas construtivas; a descrição das propriedades beneditinas fluminenses urbanas e rurais; e a análise detalhada dos dois exemplares remanescentes, fundamentais para compreender as técnicas construtivas coloniais beneditinas. Em síntese, o estudo evidencia a relevância das ordens religiosas, em especial os beneditinos, na formação territorial, produtiva e arquitetônica da capitania do Rio de Janeiro, destacando a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre técnicas construtivas coloniais no Brasil.","abstract_html":"A influência das ordens religiosas no Brasil colonial, em especial jesuítas e beneditinos, exerceu influência decisiva na conformação territorial, cultural e arquitetônica do país desde a segunda metade do século XVI. Inicialmente instaladas nas capitais litorâneas, Salvador e Rio de Janeiro, essas ordens expandiram sua atuação para áreas rurais e regiões afastadas, contribuindo para a catequese dos povos indígenas, para a educação da população e para o ordenamento econômico e social das novas vilas. 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Ambas as edificações, datadas entre o final do século XVII e início do XVIII, localizam-se na Baixada Campista e encontram-se tombadas por órgãos municipais, estaduais e federais. A partir de experiência profissional em 2016, o autor realizou estudos aprofundados sobre a edificação beneditina de Mussurepe, cujas técnicas construtivas se destacam pelo uso integral de alvenaria de tijolos maciços, em contraste com outros imóveis contemporâneos que incorporaram material pétreo. A investigação incluiu prospecções arquitetônicas, análise das fundações e levantamento documental em arquivos da Ordem de São Bento, especialmente os Estados Trienais e o Dietário do Mosteiro do Rio de Janeiro, documentos essenciais para compreender práticas administrativas e construtivas entre os séculos XVII e XVIII. 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