Brazil UFF
Estoques de carbono em sedimentos de manguezal ao longo da costa brasileira
Abstract
dc:description.abstractAs mudanças climáticas intensificadas pelas atividades humanas é um dos maiores desafios ambientais globais do tempo contemporâneo. Nesse contexto, os ecossistemas costeiros vegetados, especialmente os manguezais, desempenham papel essencial na mitigação climática por sua elevada capacidade de sequestro e armazenamento de carbono (C). Esses ambientes, conhecidos como sistemas de carbono azul, acumulam grandes quantidades de matéria orgânica (MO) nos sedimentos, contribuindo para a regulação do ciclo do carbono e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos costeiros. O Brasil, que abriga uma das maiores extensões contínuas de manguezais do planeta, apresenta considerável variabilidade ambiental, o que reforça a importância de compreender os fatores que controlam os estoques de carbono sedimentar. O presente estudo avaliou a variabilidade dos estoques de carbono em sedimentos de manguezais sob condições ambientais e influências antrópicas contrastantes em três regiões do Brasil, Norte (Salinópolis, PA), Nordeste (Itapessoca, PE) e Sudeste (Itacuruçá, RJ). Foram analisadas as fontes de MO, os teores elementares e isotópicos de carbono e nitrogênio, além dos estoques de carbono, relacionando-os a gradientes ambientais e antrópicos. Partiu-se da hipótese de que tanto fatores regionais, como o regime de marés, quanto características locais controlam a deposição e preservação do carbono. Os resultados apontaram contrastes marcantes entre as regiões. Em Salinópolis (N1), os sedimentos apresentaram fração fina predominante, baixos teores de C (média 2,5%) e o menor estoque (3043 gC.m⁻²), compatíveis com outros estudos em ambientes de macromarés. Em Itapessoca (NE1), foram observados teores intermediários de carbono (média 4,0%) e estoque de 9593 gC.m⁻², além de variabilidade vertical que pode sugerir alternância de condições deposicionais. Já Itacuruçá (SE1) exibiu os maiores teores e estoque de carbono, média 4,7% e 13869 gC.m⁻², associados à maior acumulação da matéria orgânica sedimentar. As assinaturas isotópicas de δ¹³C indicaram o predomínio de fontes terrígenas do tipo C3 em todas as regiões analisadas, com indícios de mistura com fontes de plantas C4 em Itapessoca. Os valores da razão C:N corroboraram a predominância de matéria orgânica autóctone proveniente de vegetação C3 nos três locais de estudo, mas também sugerem, em N1, a contribuição de fontes adicionais associadas a efluentes ou material algal. Já as assinaturas de δ¹⁵N confirmaram o predomínio de fontes típicas de manguezal de plantas C3, porém, diferentemente da razão C:N, não apontaram influência significativa de efluentes ou de origem algal em N1. Em síntese, os resultados indicam que os estoques de carbono em manguezais brasileiros são moldados pela interação entre gradientes ambientais e condicionantes locais, refletindo diferentes dinâmicas de deposição, preservação e exportação da MO. Reconhecer essa combinação de fatores é fundamental para fortalecer estratégias de mitigação e conservação ambiental voltadas aos ecossistemas costeiros.
Author and committee
dc:creator, dc:contributor.*- Author dc:creator
-
- Araújo, Ana Cecília Alves Pereira de
Rights
dc:rights- Statement dc:rights
-
- Open Access
- Language dc:language.iso
- pt_BR
Identifiers
dc:identifier.*- Repository record dc:identifier.uri
- https://app.uff.br/riuff/handle/1/43172
- OAI identifier oai:identifier
- oai:app.uff.br:1/43172