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Este estudo teve como objetivo investigar a diversidade genética, as relações evolutivas e os padrões de circulação de Leptospira spp. patogênicas no Brasil, a partir de diferentes hospedeiros, regiões geográficas e fontes ambientais. Para isso, foram integradas abordagens moleculares in vitro e in silico, incluindo diagnóstico por PCR, tipificação baseada no gene secY, análises filogenéticas e de rede haplotípica, além da curadoria e compilação de extensos bancos de dados genéticos e metadados ecológicos. As análises integradas evidenciaram ampla diversidade ecológica de Leptospira spp. patogênicas, geneticamente identificadas principalmente em ruminantes, cães, humanos e pequenos mamíferos silvestres. De forma importante, também foram identificadas em amostras ambientais. Mata Atlântica e Amazônia foram os biomas com maior número de ocorrências. Essa elevada diversidade detectada entre múltiplos hospedeiros e biomas evidencia a complexa estrutura ecoepidemiológica da leptospirose no país. A espécie mais frequente foi L. interrogans, seguida por L. santarosai, L. borgpetersenii, L. kirschneri e L. noguchii. Observou-se ampla sobreposição genética entre estirpes de diferentes origens e a predominância de um haplótipo clonal de L. interrogans do sorogrupo Icterohaemorrhagiae, amplamente disseminado. Essa homogeneidade genética indica a consolidação de um ciclo de transmissão sustentado por reservatórios sinantrópicos e pela intensa interação entre espécies e ambientes. Tais evidências revelam a forte interconexão entre os ciclos urbano, rural e silvestre e confirmam o papel de animais domésticos, silvestres e do ambiente como fontes potenciais de infecção humana. De forma integrada, os resultados destacam a importância de incorporar ferramentas de epidemiologia molecular à vigilância e ao controle, fortalecendo uma abordagem efetivamente One Health (Uma só saúde) para o enfrentamento da leptospirose no Brasil.","abstract_html":"A leptospirose é uma doença negligenciada de ampla distribuição no Brasil, com impacto significativo na saúde pública. Diante do aumento das zoonoses associadas às mudanças ambientais e climáticas, a doença permanece como um desafio emergente, exigindo uma compreensão mais profunda de seus padrões de transmissão e da diversidade genética dos agentes envolvidos. Este estudo teve como objetivo investigar a diversidade genética, as relações evolutivas e os padrões de circulação de Leptospira spp. patogênicas no Brasil, a partir de diferentes hospedeiros, regiões geográficas e fontes ambientais. 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