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As infecções experimentais com hamster Golden Syrian (Mesocricetus auratus) mimetizam a infecção natural de forma controlada e permitem comparar diferentes vias de inoculação, verificando a soroconversão e a capacidade de migração e colonização nos tecidos, principalmente nos tratos genital e renal. Assim, este estudo teve por objetivo avaliar o uso da via genital de inoculação de Leptospira santarosai sorovar Guaricura no modelo de infecção genital crônica em hamsters experimentalmente infectados. Foram estudadas 30 hamsters adultas com ciclo estral na fase de proestro ou estro. Os ensaios ocorreram no Biotério de Experimentação em Microbiologia e Parasitologia do Instituto Biomédico/UFF. Os animais foram inoculados pelas vias intravaginal (IVG) e intraperitoneal (IP). A infectividade foi avaliada por hemocultura e PCR de sangue no 4o dia pós-inoculação (d.p.i.), com acompanhamento de até 40 dias. Amostras de tecidos genitais, renais, hepáticos e pulmonares foram coletadas para cultura e PCR. Todas as hamsters foram infectadas com sucesso, evidenciado pela soroconversão a partir do 7o d.p.i., independentemente da via de inoculação, mantendo-se sororreativas até o 40o d.p.i. No grupo IVG, 53,3% dos animais apresentaram bacteremia no 4o d.p.i., enquanto no grupo IP a taxa foi de 100%. A presença de leptospiras viáveis e DNA bacteriano em diferentes tecidos confirmou a colonização sistêmica, incluindo o trato genital. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre cultura e PCR, embora o grupo IP tenha apresentado maior número absoluto de positivos. Em conjunto, esses achados demonstram que a via intravaginal é eficaz para estabelecer infecção ativa e colonização em hamsters, constituindo um modelo experimental relevante por mimetizar de forma mais próxima a rota natural de transmissão. O modelo proposto representa uma alternativa promissora para o estudo da leptospirose genital, podendo servir como plataforma para avaliação de estratégias de imunização de mucosa e contribuir para o avanço na pesquisa de vacinas mais eficazes. Estudos futuros devem explorar a resposta imunológica celular, a persistência a longo prazo da infecção por essa via e a aplicação do modelo em outras espécies.","abstract_html":"A leptospirose é uma doença bacteriana de importância na saúde pública devido ao seu potencial zoonótico e na economia, pois afeta cronicamente a eficiência reprodutiva de animais de produção, ocasionando infertilidade, maiores intervalos entre partos, entre outros problemas. 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Amostras de tecidos genitais, renais, hepáticos e pulmonares foram coletadas para cultura e PCR. Todas as hamsters foram infectadas com sucesso, evidenciado pela soroconversão a partir do 7o d.p.i., independentemente da via de inoculação, mantendo-se sororreativas até o 40o d.p.i. No grupo IVG, 53,3% dos animais apresentaram bacteremia no 4o d.p.i., enquanto no grupo IP a taxa foi de 100%. A presença de leptospiras viáveis e DNA bacteriano em diferentes tecidos confirmou a colonização sistêmica, incluindo o trato genital. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre cultura e PCR, embora o grupo IP tenha apresentado maior número absoluto de positivos. Em conjunto, esses achados demonstram que a via intravaginal é eficaz para estabelecer infecção ativa e colonização em hamsters, constituindo um modelo experimental relevante por mimetizar de forma mais próxima a rota natural de transmissão. 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