{"id":{"repo_id":"brazil-uff","oai_identifier":"oai:app.uff.br:1/32484"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brazil-uff/oai:app.uff.br:1/32484","repository":{"repo_id":"brazil-uff","name":"Brazil UFF","base_url":"https://app.uff.br/oai/request"},"display":{"title":"“Ratanabá” e o sequestro da atenção: o papel do algoritmo na recomendação de desinformação no YouTube","abstract":"O sistema de recomendação do YouTube, que personaliza sugestões de vídeos de acordo com gostos e preferências do usuário com o objetivo de produzir audiência, tem sido pesquisado quanto ao seu potencial de recomendar conteúdos extremistas e narrativas alternativas sobre o mundo. Em junho de 2022, a falsa história de “Ratanabá”, uma cidade que teria sido descoberta por pesquisadores na Amazônia, foi mais buscada no YouTube que as informações sobre o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. O crime aconteceu na Terra Indígena Vale do Javari no estado do Amazonas e contou com repercussão nacional e internacional. Quase um ano depois desses acontecimentos, esta pesquisa investiga o que os usuários encontram no YouTube ao buscar por “Ratanabá” e “Bruno e Dom”. A partir disso, discute-se o papel do sistema de recomendação do YouTube no que diz respeito à curadoria algorítmica e ao seu potencial para recomendar – por meio de suas affordances – e recompensar – por meio da monetização – a desinformação. Para tanto, foram criados dois perfis de usuário especificamente para este trabalho, um simulando um espectador interessado em divulgação científica, e outro mais voltado à desinformação. Isso permitiu: (i) investigar se a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme personalização; (ii) observar se a desinformação leva a mais vídeos desinformativos segundo cada perfil; (iii) mapear táticas de captura da atenção do usuário; (iv) e examinar evidências de publicidade e de recursos de monetização. Os dados foram analisados em duas etapas. A análise das recomendações foi realizada a partir da aplicação de um tripé analítico, cujos pilares epistêmico, tecnológico e econômico discutem a relação entre desinformação, curadoria algorítmica e economia da atenção. Posteriormente, a análise de redes permitiu mapear a rede de vídeos relacionados pelo sistema de recomendação do YouTube. Observou-se uma diferenciação entre os resultados de busca por perfil e por termo-chave. Contudo, os achados mostram que: (i) a personalização não impediu que a desinformação fosse recomendada ao perfil interessado em divulgação científica; (ii) a história de “Ratanabá” levou a outros modos epistêmicos; e (iii) os vídeos com títulos desinformativos apresentam mais evidências de monetização dos criadores de conteúdo via recursos do YouTube Partners Program. Isso significa que a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme cada perfil, com a personalização sendo um aspecto importante, mas não determinante. Quanto à formação de bolhas desinformativas, os rastros digitais não oferecem conclusões totalizantes, mas apontam relações que favorecem a desinformação. Em relação à publicidade e táticas de monetização, foi observado que os vídeos sobre “Ratanabá” estão mais inseridos na economia da atenção do YouTube, seja por características relativas aos metadados (título e descrição do vídeo) ou ao uso dos recursos de monetização da plataforma.","abstract_html":"O sistema de recomendação do YouTube, que personaliza sugestões de vídeos de acordo com gostos e preferências do usuário com o objetivo de produzir audiência, tem sido pesquisado quanto ao seu potencial de recomendar conteúdos extremistas e narrativas alternativas sobre o mundo. Em junho de 2022, a falsa história de “Ratanabá”, uma cidade que teria sido descoberta por pesquisadores na Amazônia, foi mais buscada no YouTube que as informações sobre o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. O crime aconteceu na Terra Indígena Vale do Javari no estado do Amazonas e contou com repercussão nacional e internacional. Quase um ano depois desses acontecimentos, esta pesquisa investiga o que os usuários encontram no YouTube ao buscar por “Ratanabá” e “Bruno e Dom”. A partir disso, discute-se o papel do sistema de recomendação do YouTube no que diz respeito à curadoria algorítmica e ao seu potencial para recomendar – por meio de suas affordances – e recompensar – por meio da monetização – a desinformação. Para tanto, foram criados dois perfis de usuário especificamente para este trabalho, um simulando um espectador interessado em divulgação científica, e outro mais voltado à desinformação. Isso permitiu: (i) investigar se a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme personalização; (ii) observar se a desinformação leva a mais vídeos desinformativos segundo cada perfil; (iii) mapear táticas de captura da atenção do usuário; (iv) e examinar evidências de publicidade e de recursos de monetização. Os dados foram analisados em duas etapas. A análise das recomendações foi realizada a partir da aplicação de um tripé analítico, cujos pilares epistêmico, tecnológico e econômico discutem a relação entre desinformação, curadoria algorítmica e economia da atenção. Posteriormente, a análise de redes permitiu mapear a rede de vídeos relacionados pelo sistema de recomendação do YouTube. Observou-se uma diferenciação entre os resultados de busca por perfil e por termo-chave. Contudo, os achados mostram que: (i) a personalização não impediu que a desinformação fosse recomendada ao perfil interessado em divulgação científica; (ii) a história de “Ratanabá” levou a outros modos epistêmicos; e (iii) os vídeos com títulos desinformativos apresentam mais evidências de monetização dos criadores de conteúdo via recursos do YouTube Partners Program. Isso significa que a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme cada perfil, com a personalização sendo um aspecto importante, mas não determinante. Quanto à formação de bolhas desinformativas, os rastros digitais não oferecem conclusões totalizantes, mas apontam relações que favorecem a desinformação. Em relação à publicidade e táticas de monetização, foi observado que os vídeos sobre “Ratanabá” estão mais inseridos na economia da atenção do YouTube, seja por características relativas aos metadados (título e descrição do vídeo) ou ao uso dos recursos de monetização da plataforma.","abstract_has_math":false,"creators":["Leitão, Ana Carollina"],"institution":null,"degree_name":null,"degree_level":null,"degree_discipline":null,"degree_department":null,"school":null,"contributors":[],"advisors":[],"committee_chairs":[],"committee_members":[],"year":null,"date_issued":"","date_published":null,"updated_at":"2026-07-27T19:00:56Z","subjects":[],"languages":["pt_BR"],"rights":["Open Access"],"rights_urls":[],"identifier_entries":[]},"links":{"outbound_url":"http://app.uff.br/riuff/handle/1/32484","outbound_label":"Repository record","outbound_source":"dc:identifier.uri"},"metadata_groups":[{"id":"people","label":"People","entries":[{"key":"dc:creator","label":"Author","values":["Leitão, Ana Carollina"]}]},{"id":"academic_context","label":"Academic Context","entries":[{"key":"dc:date.accessioned","label":"Dc Date Accessioned","values":["2024-02-29T13:46:01Z"]},{"key":"dc:date.available","label":"Dc Date Available","values":["2024-02-29T13:46:01Z"]},{"key":"dc:type","label":"Dc Type","values":["Dissertação"]}]},{"id":"language_rights","label":"Language and Rights","entries":[{"key":"dc:language.iso","label":"Language (ISO)","values":["pt_BR"]},{"key":"dc:rights","label":"Dc Rights","values":["Open Access"]}]},{"id":"identifiers","label":"Identifiers","entries":[{"key":"dc:identifier.uri","label":"Identifier URI","values":["http://app.uff.br/riuff/handle/1/32484"]}]},{"id":"additional","label":"Additional Metadata","entries":[{"key":"dc:description.abstract","label":"Abstract","values":["O sistema de recomendação do YouTube, que personaliza sugestões de vídeos de acordo com gostos e preferências do usuário com o objetivo de produzir audiência, tem sido pesquisado quanto ao seu potencial de recomendar conteúdos extremistas e narrativas alternativas sobre o mundo. Em junho de 2022, a falsa história de “Ratanabá”, uma cidade que teria sido descoberta por pesquisadores na Amazônia, foi mais buscada no YouTube que as informações sobre o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. O crime aconteceu na Terra Indígena Vale do Javari no estado do Amazonas e contou com repercussão nacional e internacional. Quase um ano depois desses acontecimentos, esta pesquisa investiga o que os usuários encontram no YouTube ao buscar por “Ratanabá” e “Bruno e Dom”. A partir disso, discute-se o papel do sistema de recomendação do YouTube no que diz respeito à curadoria algorítmica e ao seu potencial para recomendar – por meio de suas affordances – e recompensar – por meio da monetização – a desinformação. Para tanto, foram criados dois perfis de usuário especificamente para este trabalho, um simulando um espectador interessado em divulgação científica, e outro mais voltado à desinformação. Isso permitiu: (i) investigar se a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme personalização; (ii) observar se a desinformação leva a mais vídeos desinformativos segundo cada perfil; (iii) mapear táticas de captura da atenção do usuário; (iv) e examinar evidências de publicidade e de recursos de monetização. Os dados foram analisados em duas etapas. A análise das recomendações foi realizada a partir da aplicação de um tripé analítico, cujos pilares epistêmico, tecnológico e econômico discutem a relação entre desinformação, curadoria algorítmica e economia da atenção. Posteriormente, a análise de redes permitiu mapear a rede de vídeos relacionados pelo sistema de recomendação do YouTube. Observou-se uma diferenciação entre os resultados de busca por perfil e por termo-chave. Contudo, os achados mostram que: (i) a personalização não impediu que a desinformação fosse recomendada ao perfil interessado em divulgação científica; (ii) a história de “Ratanabá” levou a outros modos epistêmicos; e (iii) os vídeos com títulos desinformativos apresentam mais evidências de monetização dos criadores de conteúdo via recursos do YouTube Partners Program. Isso significa que a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme cada perfil, com a personalização sendo um aspecto importante, mas não determinante. Quanto à formação de bolhas desinformativas, os rastros digitais não oferecem conclusões totalizantes, mas apontam relações que favorecem a desinformação. Em relação à publicidade e táticas de monetização, foi observado que os vídeos sobre “Ratanabá” estão mais inseridos na economia da atenção do YouTube, seja por características relativas aos metadados (título e descrição do vídeo) ou ao uso dos recursos de monetização da plataforma."]},{"key":"dc:title","label":"Title","values":["“Ratanabá” e o sequestro da atenção: o papel do algoritmo na recomendação de desinformação no YouTube"]}]}],"canonical_facts":{"dc:creator":["Leitão, Ana Carollina"],"dc:date.accessioned":["2024-02-29T13:46:01Z"],"dc:date.available":["2024-02-29T13:46:01Z"],"dc:description.abstract":["O sistema de recomendação do YouTube, que personaliza sugestões de vídeos de acordo com gostos e preferências do usuário com o objetivo de produzir audiência, tem sido pesquisado quanto ao seu potencial de recomendar conteúdos extremistas e narrativas alternativas sobre o mundo. Em junho de 2022, a falsa história de “Ratanabá”, uma cidade que teria sido descoberta por pesquisadores na Amazônia, foi mais buscada no YouTube que as informações sobre o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. O crime aconteceu na Terra Indígena Vale do Javari no estado do Amazonas e contou com repercussão nacional e internacional. Quase um ano depois desses acontecimentos, esta pesquisa investiga o que os usuários encontram no YouTube ao buscar por “Ratanabá” e “Bruno e Dom”. A partir disso, discute-se o papel do sistema de recomendação do YouTube no que diz respeito à curadoria algorítmica e ao seu potencial para recomendar – por meio de suas affordances – e recompensar – por meio da monetização – a desinformação. Para tanto, foram criados dois perfis de usuário especificamente para este trabalho, um simulando um espectador interessado em divulgação científica, e outro mais voltado à desinformação. Isso permitiu: (i) investigar se a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme personalização; (ii) observar se a desinformação leva a mais vídeos desinformativos segundo cada perfil; (iii) mapear táticas de captura da atenção do usuário; (iv) e examinar evidências de publicidade e de recursos de monetização. Os dados foram analisados em duas etapas. A análise das recomendações foi realizada a partir da aplicação de um tripé analítico, cujos pilares epistêmico, tecnológico e econômico discutem a relação entre desinformação, curadoria algorítmica e economia da atenção. Posteriormente, a análise de redes permitiu mapear a rede de vídeos relacionados pelo sistema de recomendação do YouTube. Observou-se uma diferenciação entre os resultados de busca por perfil e por termo-chave. Contudo, os achados mostram que: (i) a personalização não impediu que a desinformação fosse recomendada ao perfil interessado em divulgação científica; (ii) a história de “Ratanabá” levou a outros modos epistêmicos; e (iii) os vídeos com títulos desinformativos apresentam mais evidências de monetização dos criadores de conteúdo via recursos do YouTube Partners Program. Isso significa que a recomendação de desinformação pelo YouTube varia conforme cada perfil, com a personalização sendo um aspecto importante, mas não determinante. Quanto à formação de bolhas desinformativas, os rastros digitais não oferecem conclusões totalizantes, mas apontam relações que favorecem a desinformação. Em relação à publicidade e táticas de monetização, foi observado que os vídeos sobre “Ratanabá” estão mais inseridos na economia da atenção do YouTube, seja por características relativas aos metadados (título e descrição do vídeo) ou ao uso dos recursos de monetização da plataforma."],"dc:identifier.uri":["http://app.uff.br/riuff/handle/1/32484"],"dc:language.iso":["pt_BR"],"dc:rights":["Open Access"],"dc:title":["“Ratanabá” e o sequestro da atenção: o papel do algoritmo na recomendação de desinformação no YouTube"],"dc:type":["Dissertação"]},"updated_at":"2026-07-27T19:00:56Z"}