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A naturalização desse lugar atribuído à mulher negra corroborou com a invisibilização do racismo e do sexismo sobrepostos em múltiplos níveis das hierarquias sociais. No meio acadêmico, constata-se a sua reverberação ainda que tais processos atuem de forma dissimulada em cordialidades que também se fazem presentes. A investigação ora pretendida tem como objeto a trajetória da vida acadêmica de sete mulheres negras graduandas do Curso de Geografia do Instituto de Geociências, da Universidade Federal Fluminense (UFF), situado em Niterói. Busca-se compreender as repercussões das políticas de ações afirmativas raciais para a educação superior na vida dessas mulheres no âmbito dessa instituição federal. Amparada pelas(os) estudiosas(os) da temática, acionamos a interseccionalidade como instrumento teórico-metodológico que nos sugere entender o racismo sob a perspectiva de gênero e o gênero sob a perspectiva racial, colocando em xeque os processos de formação das classes sociais. O processo construtivo desta pesquisa percorreu diferentes instrumentos. Para familiarização com o tema: realizamos um amplo levantamento bibliográfico concentrado principalmente entre os períodos de 2018/02 e 2019/01, em outra frente da investigação, ocorreu a análise documental das principais leis de ações afirmativas para afrodescendentes implementadas no âmbito federal, como as Leis 10.639/03, 11.645/08 e 12.711/12, ademais procedemos uma análise qualitativa acerca da trajetória de vida das estudantes negras do Curso entrevistadas no primeiro semestre de 2020. Vislumbra-se as possibilidades que se abrem ao corporificar as experiências individuais e coletivas das mulheres negras como também criadoras de conhecimento e de resistência. Assim, visando agregar outras experiências ao debate, espera-se contribuir com a ampliação das questões que circundam as experiências acadêmicas concretas das mulheres negras no que tange à formulação de políticas institucionais específicas na instituição pública de ensino superior em tela","abstract_html":"A mulher negra esteve presente nas universidades brasileiras desde sua origem do século XIX e, provavelmente, em sua maioria como a senhora da faxina ou a moça do café. Hoje, algumas de nós têm a chance de ocupar as salas de aulas como discentes ou mesmo como docentes universitárias em diferentes carreiras ou campos do conhecimento, embora muito aquém da proporção existente na população brasileira. A naturalização desse lugar atribuído à mulher negra corroborou com a invisibilização do racismo e do sexismo sobrepostos em múltiplos níveis das hierarquias sociais. 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