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Sua história confunde-se, muitas vezes, com a história do próprio país, ao pensarmos a inserção da mulher no mercado de trabalho, os movimentos políticos de esquerda no começo do século XX, as formas de governo até o Golpe Militar e mesmo adiante, as diversas correntes literárias brasileiras após o Modernismo, o desenvolvimento do jornalismo etc. Todos estes temas foram, de alguma forma, vividos e/ou apreendidos pelo olhar de Rachel de Queiroz e transmitidos, seja nos seus textos de ficção ou através de sua memória. Após a conclusão do mestrado, em que analisamos a trajetória inicial da autora cearense - aprofundando o tema de sua inserção no ambiente literário dos anos 20/30 -, procuramos, no doutorado, investigar um tema ainda pouco estudado na vida tão peculiar de Rachel de Queiroz: sua trajetória política. Complexo e mesmo contraditório, seu pensamento acerca da política pode ser apreendido através das crônicas que escreveu por cerca de setenta anos em veículos como Diário de Notícias, Correio da manhã, A Última Hora, O Povo, O Ceará, A Vanguarda Socialista, O Estado de São Paulo e na revista O Cruzeiro, de alcance nacional. Compreender as ambiguidades de um pensamento político que transita do comunismo, nos anos 30, ao conservadorismo, nos anos 1960, é nosso objetivo principal, considerando a relevância das crônicas rachelianas para um público leitor de classe média na época. O método empregado é o da narrativa biográfica, considerando Rachel de Queiroz não somente escritora profissional mas intelectual reconhecida nacionalmente. Além disso, destaca-se o fator memória, responsável por tornar a análise biográfica ainda mais desafiadora. Para realizar esta tese, utilizamos como fonte entrevistas, biografias e relatos autobiográficos da autora, além de sua produção entre 1927 e 1964, destacando as crônicas políticas por ela escritas, sem desconsiderar o material acumulado até agora, que inclui romances, crônicas, algumas poesias, artigos esparsos, além de livro de memórias, biografias, correspondências e artigos de terceiros sobre a autora","abstract_html":"A trajetória pessoal e profissional de Rachel de Queiroz (1910-2003) tem despertado a atenção de pesquisadores universitários desde pelo menos a década de 1990, em parte pelo desenvolvimento dos estudos de gênero no ambiente acadêmico, e também pelo reconhecimento da importância da memória da autora. 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