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A partir dos estudos sobre cognição, linguagem e cultura desenvolvidos no âmbito da Linguística Cognitiva (LC) e da Linguística Textual (LT), buscamos a compreensão das motivações cognitivas e culturais que favorecem tanto a estabilidade quanto a especificidade dos frames BOTO e COBRA GRANDE que subjazem às narrativas orais selecionadas. Esclarecemos que este trabalho está fundamentado no arcabouço teórico da Linguística Cognitiva (LC), especificamente da Semântica de frames (FILLMORE, 1977; 1982; 1985), além de contribuições da teoria da mesclagem conceptual (FAUCONIER e TURNER, 1974). Quanto às contribuições da Linguística Textual (LT), nos debruçamos sobre as pesquisas que envolvem, sobretudo, o fenômeno da referenciação (MARCUSCHI, 2008; KOCH e ELIAS, 2018; MONDADA e DUBOIS, 2003), a fim de observar que há entre a LC e a LT uma interface teórica que nos permite analisar de maneira mais consistente os fenômenos linguísticos em questão. Em síntese, buscamos mostrar que além das narrativas orais amazônicas serem parte inerente da cultura do povo amazônico, os pressupostos cognitivistas nos ajudam a compreender como se dá a compreensão e conhecimento dos elementos boto e cobra grande nas narrativas, com base nos respectivos frames BOTO e COBRA GRANDE, bem como a construção do significado e a valorização dos aspectos sociais e culturais das comunidades amazônicas em questão","abstract_html":"As narrativas constituem, do ponto de vista cognitivo e cultural, uma atividade discursiva que vai bem além do ato de contar histórias, reais ou fictícias, situadas num dado espaço e tempo; portanto, o ato de narrar deve ser examinado como diretamente ligado a processos cognitivos de transmissão de conhecimento e construção de significado. 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