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Entendemos a serialidade como um modo de construção da linguagem televisiva e destacamos que, mais do que uma questão de economia produtiva ou um recurso da indústria televisiva para atrair audiência e minimizar custos de produção, essa é uma característica que dialoga, sobretudo, com o modo como a televisão organiza e reorganiza constantemente as suas formas a partir de uma matriz cultural fundada no tempo cotidiano, um tempo que constantemente acaba por recomeçar. A primeira parte desta dissertação concentra o nosso esforço por mapear as definições e disputas que se organizam em torno da noção de serialidade e um dos resultados mais relevantes que esse mapeamento nos revela é que há uma espécie de silenciamento sobre a construção de estratégias seriais no telejornalismo, e que as relações entre jornalismo e ficção, e jornalismo e entretenimento, são contra-hegemônicas ao discurso dominantes sobre essa prática. A identificação dessas disputas e do discurso que as acolhe nos permite reivindicar a possibilidade de uma análise que ponha em diálogo as questões de construção da serialidade televisiva no telejornalismo e suas vinculações com os valores e premissas da atividade. Essa análise é feita na segunda parte deste trabalho, a partir da Metodologia de Análise de Telejornalismo desenvolvida no Grupo de Pesquisa em Análise de Telejornalismo da Facom/UFBA, com resultados que nos permitem afirmar que os programas jornalísticos televisivos recorrem a uma série de estratégias e recursos de construção de serialidade para afirmar e reforçar seus valores e premissas e estabelecer um modo específico de convocação de sua audiência. O trabalho de análise dos quatro telejornais que compõem a nossa amostra – a saber, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo – identificou seis tipos de recursos e estratégias de construção de linguagem que se revelaram fundamentais para a construção da arquitetura da organização de cada um deles: o papel dos mediadores no encadeamento das sequências; a transmissão direta como ancoragem narrativa; a utilização de temas prioritários e editorias; a organização sequencial a partir de formatos; a construção de continuidade, aprofundamento e acúmulo; a manutenção de quadros, colunas e séries. Mais do que uma forma de reelaborar a linguagem televisiva, essas construções funcionam como um vínculo entre o tempo da transmissão e o jornalismo no sentido de reforçar um modo social de experiência do tempo cotidiano. Assim, entendemos, finalmente, que a nossa relação com o tempo presente, fundamental para a definição do jornalismo enquanto prática, se dá também através das narrativas televisivas com a sua matriz cultural fundada no tempo fragmentado.","abstract_html":"Esta dissertação tem como objetivo analisar os modos de construção da serialidade televisiva em programas de jornalismo televisivo a partir da análise de modo de endereçamento dos quatro telejornais diários da tevê Globo. Entendemos a serialidade como um modo de construção da linguagem televisiva e destacamos que, mais do que uma questão de economia produtiva ou um recurso da indústria televisiva para atrair audiência e minimizar custos de produção, essa é uma característica que dialoga, sobretudo, com o modo como a televisão organiza e reorganiza constantemente as suas formas a partir de uma matriz cultural fundada no tempo cotidiano, um tempo que constantemente acaba por recomeçar. 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