Universidade de Brasília
Metabolismo energético e resposta ao jejum do morcego hematófago Diphylla ecaudata
Abstract
dc:description.abstractA literatura tem mostrado que mamíferos alimentados com dietas ricas em proteína são mais resistentes ao jejum. Entretanto, ao contrário do observado o morcego vampirocomum Desmodus rotundus, apesar de possuir uma dieta muito rica em proteínas (sangue), é marcadamente susceptível ao jejum. Para esclarecer se a fragilidade frente à privação alimentar seria uma característica de D. rotundus, ou se poderia estar presentes também em outros morcegos de dieta hematófaga, este estudo utilizou o morcego Diphylla ecaudata para investigar as reservas energéticas desses animais alimentados e as respostas ao jejum. Para isso, foram determinadas as concentrações de glicose e ácidos graxos livres (AGL) plasmáticos, ácidos graxos totais da carcaça, glicogênio, lipídios e proteínas totais hepáticas e musculares em morcegos alimentados (ALM) e jejuados por 24 (J24) e 36 h (J36). Nossos resultados sugerem que D. ecaudata possui um padrão metabólico similar ao observado para D. rotundus: pequenas reservas de carboidratos e lipídios no estado alimentado e ausência de mobilização das reservas de lipídios e proteínas durante o jejum, o que resulta em grande susceptibilidade à restrição alimentar por períodos superiores a 36 h. Porém, esse padrão metabólico difere do observado para a maior parte dos animais de dietas ricas em proteínas. Além da pequena contribuição das reservas energéticas na resposta à privação alimentar, uma via metabólica normalmente associada à resposta ao jejum - a neoglicogênese - parece não estar ativa na espécie D. ecaudata, pelo menos nos animais jejuados por 36 h, hipótese reforçada, principalmente, pela grande queda da glicemia após 24 h de privação alimentar. No entanto, em animais J24, a glicemia mantém-se em níveis similares aos vistos em animais alimentados, semelhantes aos normalmente observados em mamíferos com dietas ricas em proteínas. A glicogenólise e a neoglicogênese poderiam ser os mecanismos responsáveis pela manutenção da glicemia em D. ecaudata J24, porém, como as reservas de glicogênio são pequenas e também não foi observada mobilização protéica e lipídica, é possível que animais ALM e J24 mantenham a glicose circulante em níveis normais para mamíferos (entre 70 e 100 mg/dL) também a partir da glicose da dieta, ou seja, a partir do sangue de suas presas (aves). A glicemia das aves que costumam predar seria uma das responsáveis por manter a glicemia de D. ecaudata em níveis compatíveis com a vida de mamíferos até 24 h de jejum, período de privação alimentar normalmente enfrentado por estes animais em condições naturais. Não se pode, no entanto, desconsiderar a participação do glicogênio hepático na manutenção da homeostase glicêmica no jejum de 24 h. A manutenção das altas concentrações de AGL plasmáticos no estado alimentado e J24, independente de mobilização lipídica significativa, também sugere a participação da dieta na manutenção desses metabólitos. A maior fragilidade ao jejum observada em D. ecaudata parece ser uma característica de morcegos com dieta hematófaga. Essa susceptibilidade que coloca esses animais em risco freqüente de morte e até mesmo de extinção parece ter sido compensada pelo mecanismo de compartilhamento recíproco de alimento, um comportamento, portanto, fundamental para a perpetuação da espécie. __________________________________________________________________________________________ ABSTRACT
Author and committee
dc:creator, dc:contributor.*- Author dc:creator
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- Gomes, Carolinne Isabella Dias
- Advisor dc:contributor.advisor
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- Pinheiro, Eliana de Cássia
Rights
dc:rights- Statement dc:rights
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- Acesso Aberto
- Language dc:language.iso
- Português
Identifiers
dc:identifier.*- Repository record dc:identifier.uri
- http://repositorio.unb.br/handle/10482/5113