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O presente estudo concebeu um modelo conceitual inicial a partir das literaturas sobre inclusão financeira, ethical banking, mercados BoP (base da pirâmide), percepção de valor do consumidor, consumidores de baixa renda no Brasil, cultura, escassez e antropologia do consumo. O método consistiu em dois Estudos. No primeiro utilizou-se a teoria meios-fim para investigar as cadeias hierárquicas de valor dos consumidores de baixa renda, através de grupos focais e entrevistas em profundidade. O Estudo 2 investigou as características e condições de comercialização dos produtos financeiros mais utilizados, através de observações participantes e não participantes. Os resultados do Estudo 1 revelam as principais situações de consumo, necessidades, motivações, preferências e estruturas de valor dos pesquisados, bem como as características e papeis simbólicos dos arranjos informais mais usuais. Resultando na proposição de um modelo teórico de antecedentes e influenciadores da percepção de valor dos consumidores de baixa renda na utilização de produtos financeiros. Os resultados do Estudo 2 revelam condições de comercialização extremamente prejudiciais aos pesquisados e em oposição aos fatores de maior importância revelados pelo Estudo 1. Assim, os achados da pesquisa indicam a acentuada inadequabilidade dos produtos financeiros aos consumidores de baixa renda e a existência de um cenário de inclusão financeira adversa, marcado pelos efeitos colaterais negativos apontados pela literatura. O presente estudo amplia o conhecimento sobre comportamento do consumidor de baixa renda e contribui para redução de importantes lacunas de pesquisa sobre percepção de valor e inclusão financeira. No aspecto gerencial, os resultados podem contribuir para o aprimoramento regulatório, das ações de supervisão e das políticas públicas voltadas à defesa do consumidor, à educação e à inclusão financeira. No âmbito técnico, provê subsídios para o surgimento e aprimoramento de produtos financeiros mais adequados aos consumidores de baixa renda. Assim, contribuindo para a obtenção dos benefícios sociais preconizados pela literatura de inclusão financeira. Notadamente, para a suavização dos efeitos da pobreza e para a melhoria do acesso a bens e serviços por parte das populações mais pobres.","abstract_html":"A inclusão financeira é pauta dos principais organismos internacionais e governos na atualidade, possuindo metas explícitas em sete dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU. 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