{"id":{"repo_id":"brasilia","oai_identifier":"oai:repositorio.unb.br:10482/17384"},"canonical_url":"https://search.dev.ndltd.org/etd/brasilia/oai:repositorio.unb.br:10482/17384","repository":{"repo_id":"brasilia","name":"Universidade de Brasília","base_url":"http://repositorio2.unb.br/oai/request"},"display":{"title":"A quem serve o diagnóstico de deficiência intelectual? um estudo do desenvolvimento adulto na perspectiva da Psicologia dialógica","abstract":"O principal objetivo desta tese foi Interpretar transições de desenvolvimento e a dinâmica temporal de constituição de self de um adulto com diagnóstico de deficiência intelectual, a partir de estudo de caso em que se investigou processos de escolarização, trabalho e relações afetivas. Deficiência intelectual é um construto polissêmico e historicamente marcado por visões cristalizadas acerca dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. A ênfase dada aos aspectos psicométricos do diagnóstico reforçou a crença na incapacidade educacional e na impossibilidade de agência dessas pessoas, que eram comumente privadas de experiências dialógicas que impulsionassem processos de aprendizagem, construção de autonomia e inserção social. Neste trabalho defendemos que limitações ocasionadas por uma deficiência podem ser transformadas em construção de diferentes trajetórias de desenvolvimento, desde que a pessoa receba os apoios necessários à minimização de suas dificuldades. Participaram dos procedimentos de construção das informações seis adultos com diagnóstico de deficiência intelectual, dos quais um foi selecionado para um estudo idiográfico de caráter longitudinal. O estudo pautou-se nos pressupostos da Perspectiva Histórico-Cultural e alguns de seus desdobramentos, a saber, a Psicologia Cultural e a Teoria do Self Dialógico. A proposta metodológica desenvolveu-se em consonância com os pressupostos da epistemologia qualitativa, a partir da qual foram propostos os seguintes procedimentos: entrevistas semiestruturadas; complementação de frases; levantamento de marcadores de adultez; construção de linha do tempo; relato escrito de projeções para o futuro; registros de campo. Os resultados evidenciaram três posições dominantes na dinâmica de self do participante do estudo de caso: Eu como estudante; Eu como trabalhador; Eu nas relações sociais e afetivas. Emergiram indicadores de tensões em seu panorama de self e um jogo dialógico de posições que o qualificam como deficiente, pouco inteligente ou portador de dificuldade acadêmica, ao mesmo tempo em que concorriam outras que o adjetivam como competente, inteligente, responsável e capaz. Também no campo do trabalho evidenciaram-se tensões dialógicas entre um Eu como trabalhador competente e trabalhador não competente. Há indicadores de não cristalização de uma posição, mas de trânsito em uma fronteira semiótica, benéfico aos processos de desenvolvimento. Vários aspectos integram-se ao prover o participante de um senso de si que excede a condição definida pelo diagnóstico de deficiência, entre eles destacam-se a escola inclusiva; a oportunidade de trabalho comum remunerado; o apoio da família ao mediar oportunidades de desenvolvimento social. Em meio a diferentes experiências e posicionamentos, desenvolveram-se condições que, hoje, o distanciam do diagnóstico de deficiência intelectual e o situam na condição de um adulto, trabalhador e implicado na construção de crescentes condições de realização e desenvolvimento pessoal.","abstract_html":"O principal objetivo desta tese foi Interpretar transições de desenvolvimento e a dinâmica temporal de constituição de self de um adulto com diagnóstico de deficiência intelectual, a partir de estudo de caso em que se investigou processos de escolarização, trabalho e relações afetivas. Deficiência intelectual é um construto polissêmico e historicamente marcado por visões cristalizadas acerca dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. 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Deficiência intelectual é um construto polissêmico e historicamente marcado por visões cristalizadas acerca dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. A ênfase dada aos aspectos psicométricos do diagnóstico reforçou a crença na incapacidade educacional e na impossibilidade de agência dessas pessoas, que eram comumente privadas de experiências dialógicas que impulsionassem processos de aprendizagem, construção de autonomia e inserção social. Neste trabalho defendemos que limitações ocasionadas por uma deficiência podem ser transformadas em construção de diferentes trajetórias de desenvolvimento, desde que a pessoa receba os apoios necessários à minimização de suas dificuldades. Participaram dos procedimentos de construção das informações seis adultos com diagnóstico de deficiência intelectual, dos quais um foi selecionado para um estudo idiográfico de caráter longitudinal. 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