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Deu-se uma luta interna pela conquista do poder que conduziu a uma guerra civil, à saída da administração portuguesa e posterior invasão indonésia (7 de Dezembro de 1975). Esta invasão foi feita com a conivência de poderosas potências internacionais. Em Julho de 1976, a Indonésia declara Timor como a sua 27ª província. Esta anexação nunca foi reconhecida pelas Nações Unidas, permanecendo Portugal, à luz do Direito Internacional, como potência administrante. Após anos de lutas internas e externas, em 1999, é dado ao povo timorense a possibilidade de escolher o seu futuro. A 30 de Agosto desse ano realiza - se um referendo cujo resultado foi esmagadoramente a favor da independência. A Indonésia abandona Timor mas, antes instala um clima de terror, destruição e morte. Num espaço de trinta anos, o país é destruído pela 2ª vez (a 1ª tinha sido durante a 2ª Guerra Mundial, esta guerra que foi essencialmente Europeia, fez-se sentir de forma intensa em Timor). Perante as noticias que nos chegavam, toda a sociedade portuguesa se uniu em defesa daquele povo distante e desconhecido, desde 1974 que não se viam manifestações de rua que envolvessem tanta gente, pessoas anónimas, partidos políticos da esquerda à direita, igreja católica…. Dentro das instâncias de cooperação existentes, foi conferido um carácter autónomo à cooperação com Timor. ONGs, câmaras municipais, entidades públicas e privadas, cidadãos anónimos… todos querem participar na reconstrução do país. Do conjunto de todas estas vontades resultaram acções dispersas e, por vezes, com muito pouco impacto junto daqueles a quem, em principio se destinariam. Aquando desta reentrada de portugueses em Timor, estes não foram olhados como antigos colonizadores mas, antes como “Vêm ajudar-nos, precisamos deles” e, Portugal tem obrigações morais e históricas em ajudar o povo timorense. Em 2005, as necessidades daquele povo continuam a ser de vária ordem mas, continuamos a verificar uma falta de estratégia na identificação de prioridades que possibilitem acções concretas e eficazes em prol do desenvolvimento, que se reflicta na vida da população local. Os cooperantes que vão desenvolver acções em Timor continuam a não ter formação específica para a realidade em que vão trabalhar. As duas comunidades, portuguesa e timorense, pouco convivem contribuindo para tal a barreira linguística existente. O português foi escolhido como uma das línguas oficiais mas, só uma percentagem reduzida da população mais velha domina esta língua. Em Dili, a capital, não se sentem os efeitos do ensino do português. Como nos referem os habitantes desta cidade “ Portugal precisa de enviar professores que ensinem o português aos mais novos”","abstract_html":"Resumo - Os portugueses chegaram a Timor, por volta de 1514, com intuitos mercantis e de difundir a fé cristã, por lá permaneceram quase 500 anos. Quase sempre a convivência foi pacífica pois Portugal nunca interferiu muito nos usos e costumes locais. A forma de ser, estar e viver deste povo manteve-se inalterada ao longo dos séculos. A revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, reflectiu-se em Timor, com o surgimento de partidos políticos que pretendiam a independência daquela meia ilha. Deu-se uma luta interna pela conquista do poder que conduziu a uma guerra civil, à saída da administração portuguesa e posterior invasão indonésia (7 de Dezembro de 1975). Esta invasão foi feita com a conivência de poderosas potências internacionais. Em Julho de 1976, a Indonésia declara Timor como a sua 27ª província. 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