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Em primeiro lugar, como interpretar a frequência feminina das escolas industriais públicas oitocentistas e respectivas oficinas, independentemente da localização geográfica, desde a sua fundação, em 1884? Em segundo lugar, qual o grau de congruência entre as representações discursivas sobre as mulheres e a realidade da sua situação face ao trabalho na sociedade portuguesa oitocentista? Como se relacionavam as modalidades e finalidades de formação profissional para o sexo feminino propostas no quadro institucional oitocentista com as representações sobre o trabalho das mulheres presentes nos discursos coevos? Em terceiro lugar, como se coadunou a oferta de ensino industrial para o sexo feminino a uma representação social das mulheres que as dissociava, cada vez mais, da noção de trabalho produtivo e profissional? Que tipo de representações sobre a relação das mulheres com a(s) actividade(s) profissional(ais) são veiculadas pelos discursos políticos, normativos e técnicos sobre o ensino industrial? Em que medida é que este tipo de oferta formativa por parte do Estado influenciou, de forma directa ou simbólica, o reposicionamento socioprofissional das mulheres que o frequentaram? O estudo analisa, na perspectiva da história das mulheres, entendida como história relacional, isto é, uma história das relações sociais entre mulheres e homens, a formação profissional feminina no quadro do ensino industrial público em Portugal, desde a criação das primeiras escolas, em 1884, até à implantação da 1ª República, na dupla perspectiva das realidades e das representações. Estes vinte e sete anos correspondem à concretização possível do projecto da monarquia constitucional relativo ao incremento de um ensino industrial e profissionalizante.","abstract_html":"Este trabalho procura problematizar o papel reprodutor e produtor das escolas públicas de ensino industrial na construção e afirmação da sociedade burguesa e das concepções de homem ganha-pão e da mulher dona-de-casa em finais do século XIX e inícios do século XX. A problemática que conformou a presente investigação constituiu-se na intersecção de três interrogações de fundo. Em primeiro lugar, como interpretar a frequência feminina das escolas industriais públicas oitocentistas e respectivas oficinas, independentemente da localização geográfica, desde a sua fundação, em 1884? Em segundo lugar, qual o grau de congruência entre as representações discursivas sobre as mulheres e a realidade da sua situação face ao trabalho na sociedade portuguesa oitocentista? Como se relacionavam as modalidades e finalidades de formação profissional para o sexo feminino propostas no quadro institucional oitocentista com as representações sobre o trabalho das mulheres presentes nos discursos coevos? Em terceiro lugar, como se coadunou a oferta de ensino industrial para o sexo feminino a uma representação social das mulheres que as dissociava, cada vez mais, da noção de trabalho produtivo e profissional? Que tipo de representações sobre a relação das mulheres com a(s) actividade(s) profissional(ais) são veiculadas pelos discursos políticos, normativos e técnicos sobre o ensino industrial? Em que medida é que este tipo de oferta formativa por parte do Estado influenciou, de forma directa ou simbólica, o reposicionamento socioprofissional das mulheres que o frequentaram? 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