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Nesse sentido, deambula-se pelos ditos e inter-ditos do jogo metafórico (vedado a não iniciados) do romance do século XII, na procura e decifração de uma linguagem subliminar representada por todas essas transacções (visíveis ou invisíveis, manifestas ou secretas, intra ou intertextuais) colocadas sob a égide do feminino enquanto paradigma de um poderoso imaginário oblativo que molda, em profundidade, os contornos da narrativa ficcional. Perscrutam-se assim vectores simbólicos, imaginários e históricos (nas suas dimensões social, económica, política e cultural) no e para além do véu superficial da narrativa, através de situações de dádiva criadas (a hospitalidade) e das trajectórias e apropriações dos objectos pela mão feminina conferidos. Partindo de uma exploração teórica e da analogia, na sua funcionalidade e estatuto, entre o dom e a Mulher, este trabalho visa penetrar na interioridade de obras emblemáticas do século XII, a fim de, numa atitude reflexiva, pôr em relevo novas (ou renovadas) estruturas ou imagens poéticas e apontar para outros sentidos possíveis para os textos. Procura-se, em suma, através dessa linguagem implícita, a superação (ou não) de hiatos e elipses inter e intra-textuais. Revelando e correlacionando ficções dentro da ficção, este trabalho convida, desta forma, a um iniciático percurso à palavra simbólica, no qual a invisibilidade e inconfessionabilidade da linguagem da dádiva feminina desempenha importante função.","abstract_html":"Vislumbrar e, por conseguinte, construir um outro sentido poético ou textual, circunscrito numa relação consubstancial entre a dádiva e o mundo feminino, constitui proposta deste trabalho. 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