Brazil UFF
Estudo de toxicidade cardíaca em pacientes em uso de rituximabe e trastuzumabe.
Abstract
dc:description.abstractA evolução do tratamento oncológico resultou no desenvolvimento de novas terapias relacionadas com alvos moleculares específicos como os anticorpos monoclonais. No entanto, os efeitos adversos cardiovasculares da terapia antitumoral podem limitar a continuidade do tratamento e reduzir a sobrevida do paciente. Entre os efeitos adversos, a cardiotoxicidade como a insuficiência cardíaca é responsável por alta morbimortalidade, podendo surgir durante ou após o fim do tratamento. O objetivo deste estudo foi identificar a toxicidade cardíaca em pacientes oncohematológicos em uso dos anticorpos monoclonais rituximabe e trastuzumabe. Foi realizado um estudo transversal e descritivo, com base na análise de prontuários, de todos os pacientes oncohematológicos que receberam tratamento com rituximabe para o Linfoma não-Hodgkin e trastuzumabe para o tratamento do Câncer de mama HER2 positivo, durante o período de 2013 à 2018 no Hospital Universitário Antônio Pedro. Foram identificadas as reações cardiovasculares infusionais e tardias, sendo aplicado o Algoritmo de Naranjo e a classificação das reações quanto à gravidade. Foram investigados os fatores de risco e sua associação com a cardiotoxicidade, utilizando Odds ratio (OR) como medida de associação para um nivel de significância de 95 %. De 2018 a 2020, além da análise de prontuários, as informações foram complementadas por entrevistas com alguns pacientes selecionados pelos fatores de risco e pela identificação de sinais e sintomas sugestivos de insuficiência cardíaca. Para a análise dos dados, utilizou-se um Formulário de Avaliação de Cardiotoxicidade. Para o rituximabe, em relação ao perfil dos pacientes, observou-se os principais fatores de risco:hipertensão arterial (47,9%), diabetes mellitus (22,9%), tabagismo (31,3%) e uso prévio de antraciclinas (87,5%). Foram analisados 48 pacientes, sendo identificadas reações cardiovasculares em 18 deles (37,5%). As reações foram principalmente infusionais e precoces. A insuficiência cardíaca (IC) foi observada em 4 pacientes, sendo que apenas em 1 deles a IC pôde ser atribuída ao uso do rituximabe. Nenhum dos fatores de risco analisados se mostrou significativo na identificação de RAM com o uso de rituximabe. As principais medidas de monitoramento foram o uso de protocolos sem doxorrubicina e o controle das doses cumulativas. Para o trastuzumabe, em relação ao perfil dos pacientes, observou-se os principais fatores de risco: hipertensão arterial (52,7%), diabetes mellitus (21,8%), tabagismo (32,7%), obesidade (29,1%), uso prévio de antraciclinas (47,3%) e radioterapia (56,4%) e as reações cardiovasculares ocorreram em 50,9 % das pacientes, sendo principalmente tardias. Em função do número reduzido de pacientes, não foi possível avaliar a associação estatística entre os fatores de risco e a ocorrência das RAM. Para o trastuzumabe, a principal medida de monitoramento das RAM cardíacas foi o acompanhamento pelo ecocardiograma. Os especialistas do hospital foram convidados a participar de um questionário online sobre as principais barreiras encontradas para o monitoramento dos pacientes oncohematológicos sendo a ausência de protocolos internos (60%) identificada como a principal barreira, seguida da dificuldade de comunicação entre os setores (40%). Ao final do estudo, foram sugeridos dois protocolos de monitoramento dos medicamentos oncohematológicos com potencial cardiotóxico para os setores do hospital. A realização das entrevistas ocorreu com quatro pacientes. O primeiro caso clínico envolveu cardiotoxicidade associada ao uso do protocolo contendo rituximabe e doxorrubicina em paciente com linfoma não -Hodgkin. O segundo caso envolveu cardiotoxicidade em dois momentos distintos: associada ao uso de doxorrubicina e em seguida associada ao uso de trastuzumabe em paciente com câncer de mama. No terceiro caso, a paciente apresentou síndrome metabólica após o tratamento do câncer de mama. O quarto caso envolveu cardiotoxicidade em paciente com câncer de mama gestacional. Através deste estudo foi possível identificar o desenvolvimento de insuficiência cardíaca com uso do medicamento trastuzumabe e principalmente reações adversas cardiovasculares infusionais ao rituximabe. Espera-se que mais estudos sobre toxicidade cardíaca sejam conduzidos em outras instituições de saúde para permitir maior comparabilidade entre populações distintas de pacientes. Ainda existem poucos estudos na literatura que avaliam e identificam toxicidade cardíaca associada aos anticorpos monoclonais, destacando a importância deste estudo para a vigilância de pós-comercialização e o conhecimento do perfil de toxicidade dos fármacos. Quanto às barreiras para o monitoramento dos pacientes a dificuldade de comunicação entre os setores e a ausência de protocolos clínicos refletem a fragmentação do cuidado na saúde e a dificuldade em se estabelecer protocolos de monitoramento principalmente para uma área nova como a cardio-oncologia. A etapa final desta tese, envolveu a elaboração de uma sugestão de protocolo clínico de monitoramento de RAM cardiovasculares para os medicamentos analisados, representando uma contribuição para complementar a discussão da cardiotoxicidade promovida no hospital. Espera-se que o protocolo, uma vez avaliado pelos setores envolvidos, possa ser implantado na unidade. Observou-se sensibilização dentro do hospital sobre o tema da cardiotoxicidade dos medicamentos oncohematológicos e espera-se que o estudo possa incentivar mais pesquisas envolvendo a farmacoepidemiologia e a cardio-oncologia.
Author and committee
dc:creator, dc:contributor.*- Author dc:creator
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- Valente, Patricia Marques Soares
Rights
dc:rights- Statement dc:rights
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- Open Access
- Language dc:language.iso
- pt_BR
Identifiers
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